domingo, 25 de setembro de 2011

DIES IRAE



 

 Dies iræ! dies illa
Solvet sæclum in favilla
Teste David cum Sibylla!
Dia da Ira, aquele dia
Em que os séculos se desfarão em cinzas,
Testemunham David e Sibila!
Quantus tremor est futurus,
quando judex est venturus,
cuncta stricte discussurus!
Quanto terror é futuro,
quando o Juiz vier,
para julgar a todos irrestritamente !

Este poema, musicado por Mozart em sua obra Requiem, veio a minha mente ao ler o comentário publicado no site do Estado de São Paulo no último dia 21 de setembro, sob o título: Balé de Leipzig apresenta 'A Grande Missa' em SP.

Não vou aqui ficar transcrevendo integralmente textos que podem ser pesquisados na internet, mas para ilustrar, apenas um trecho de comentário que saiu na imprensa sobre a instituição “Ballet de Leipzig”:

O Leipziger Ballett Mario Schröder é parte integrante de uma centenária instituição alemã: a Ópera de Leipzig. Com seus mais de três séculos dedicados à arte operística — sua história remonta a 1693 —, a Ópera de Leipzig é o terceiro palco operístico mais antigo da Europa, fundado após os de Veneza e Hamburgo.” (para o texto completo consulte http://agitosp.wordpress.com/2011/09/19/bailarina-brasileira-e-solista-do-bale-de-leipzig-que-se-apresenta-no-theatro-municipal-de-sao-paulo/).

Imperdível este espetáculo certo? Música de Wolfgang Amadeus Mozart, da famosa Missa em Dó menor, KV.427, chamada “A Grande Missa”. Tenho uma gravação desta obra entre os meus CDs. Oportunidade única de assistir ao vivo uma execução desta peça, ainda mais ver uma adaptação de gabarito para um ballet que tem uma brasileira entre suas solistas (Isis Calil de Albuquerque).

Qual não foi minha surpresa ao ler a notícia no Estado de São Paulo, dando conta que esta peça seria mais um videokê?

“Concebida dentro de um centro musical, "A Grande Missa" costuma ser apresentada sob acompanhamento de uma orquestra, um coral de crianças, além de quatro cantores solistas. No Municipal, o público terá que se contentar em ouvir a trilha de Mozart gravada.” (para o texto completo acesse http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,bale-de-leipzig-apresenta-a-grande-missa-em-sp,775516,0.htm)

"Mea culpa, mea máxima culpa"! 

Há exatos 9 meses atrás, postei neste blog um texto reclamando deste mesmo problema ao assistir o Ballet Quebra Nozes, que apelidei na ocasião de Ballet “Quebra Cara”. Encenado à época do Natal no teatro Alfa, a companhia de dança Cisne Negro usou deste artifício: playback!

“Mea culpa” pois ao comprar os ingressos para assistir Mozart, mais uma vez não verifiquei qual seria a orquestra que executaria esta peça.

Minha pergunta é apenas uma: qual é o problema conosco, brasileiros? Não temos competência para executar uma peça desta? Não temos músicos aptos? Isto é desleixo, descaso, incompetência! Obviamente não acredito nestas hipóteses que levantei, pois conheço muitos dos músicos que se apresentam em nossas orquestras, e sei que são competentes.

O que me irrita nesta situação, é que alguém dentro de um gabinete toma uma decisão desta por, no mínimo, burrice. E pior ainda é pensar que a companhia “Ballet de Leipzig” concorde com um absurdo desta monta!

Em um país como o nosso, carente de educação em geral é um crime fazer algo assim. Temos profissionais da música dedicando-se horas a fio à seus instrumentos, sem oportunidade de se apresentar, de obter seu sustento decentemente, dentre outros motivos, porque um imbecil qualquer, decide colocar um CD tocando a música para acompanhar os bailarinos. Daí esses profissionais deixam o país e fazem sucesso lá fora (como temos inúmeros exemplos) enquanto ficamos aqui com os pagodeiros, funqueiros, tocadores de tampa de lata de lixo, achando que são músicos, porque o lixo que produzem vende!

Já vi uma história semelhante há anos atrás, quando fiz uma breve incursão como “professor de música”. O aluno, um garoto de seus 13/14 anos na época, queria aprender a tocar “teclado”. Não sabia nada de música, mas tinha um “Casio” e queria aprender a tocar. Comecei explicando a teoria musical, coisas básicas como, tempo, notação musical. Lá pela segunda/terceira aula, o menino fala que “ele queria aprender a tocar, e não a ler. Que não precisava estudar tudo aquilo para tocar, pois tinha um colega que tocava um monte de músicas e nunca tinha visto aquelas coisas que eu estava ensinando”. Que músicas ele tocava? Melhor não contar-lhes o que ouvi de resposta. Indiquei ao infeliz uma banca de jornal que tinha umas revistinhas que ensinavam a tocar qualquer instrumento em “6 aulas práticas” e me livrei do pimpolho. Provavelmente ele seja o tecladista de uma dessas bandas de funk por aí.

E vamos nós aos trancos e barrancos tentando melhorar a cultura geral deste país, mas a concorrência é desleal! Com rede Globo e outras despejando o lixo cultural de suas produções, na latrina que se tornou nossos ouvidos, é difícil fazer adultos, quanto mais adolescentes pensarem, afinal, “pensar dói”. É mais fácil usar a cabeça para separar as orelhas! Os “Neymares” e as “Panicats” estão aí para dizerem que o que se tem dentro da cabeça não faz a menor diferença na busca do $uce$$o. O Lula, o PT e os políticos em geral que o digam.

Por isso repito, “Dies Irae”. Este dia chegará e choraremos copiosamente de arrependimento, e não estou falando de religião, estou falando de política, do futuro de uma nação!

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