domingo, 15 de maio de 2011

12 May 2011

Na última quinta-feira 12 de maio ocorreu um fato  digno de notícia: reencontraram-se no palco Roger Waters e David Gilmor, integrantes da legendária banda Pink Floyd, para juntos, tocarem Comfortably Numb.

Vi esta notícia em todos os sites da internet, e acompanhei os vídeos que surgiram na “net” após a “efeméride”.



Bem, talvez aqueles que não curtiram o Rock dos anos 60 e 70, não entendam o significado do acontecimento.



Eu tinha apenas 13 anos quando surgiu o álbum “The dark side of the moon”. Embora criança, ouvia todas as grandes bandas da época, e comprava todos os LP’s que saíam aqui no Brasil: Yes, Emerson Lake and Palmer, Genesis, Deep Purple, e tantas outras...



Gosto de todas essas bandas até hoje, e possuo quase tudo que saiu em LP, CD e DVD, tamanha minha admiração pelas músicas e pelos músicos que as compõe, ou compuseram.



Uma noite de sábado de 1973: eu e meu amigo, filho de amigos de meus pais e meu vizinho, colega das tardes após a escola empinando pipa ou jogando bolinha de gude na calçada da rua em frente casa, calçada que era de terra, começamos cedo a curtir Rock progressivo. Aos 10 anos eu ouvia Beatles, estudava piano e com os hormônios da adolescência “a mil” sonhava com temas que não eram totalmente compreensíveis para minha tenra idade. O mundo vivia a guerra fria, o movimento hippie pregava “paz e amor”, as músicas falavam de guerra, bem e mal, liberdade, amor e as músicas especialmente do Pink Floyd eram ininteligíveis sem uma grande dose de imaginação, ou de algum “estimulante”. Eu com apenas 12/13 anos, não precisava de nenhum estimulante, apenas de minha imaginação juvenil, e uma vitrolinha em meu quarto cheio de pôsteres das “divas” da época e uma lâmpada colorida que eu colocava para criar o clima dos “bailinhos” que meus pais ainda não me permitiam freqüentar.



Ouvi extasiado pela primeira vez o LP novinho “The Dark Side of the moon”. Retirava o disco da capa com todo o cuidado, colocava-o na vitrola e quase cirurgicamente apoiava a agulha sobre a faixa inicial para ouvir o “coração batendo” que eu não sabia se era da música ou se era o meu próprio que pulsava de excitação com a música, a novidade.



Quando ouvi pela primeira vez “The Great Gig in the sky”, pensei comigo que já poderia morrer, pois havia contemplado o paraíso. Esta música ainda hoje me toca profundamente.



Ficava deitado olhando para a lâmpada colorida no teto e para os pôsteres na parede (Rose di Primo, Olívia Hussey, Brigitte Bardot e outras) e sonhando com quando tivesse dinheiro para comprar um equipamento de som de verdade e para sair com as garotas. O mundo tinha um colorido e doçura diferentes nesta época, pré Bin Laden.



Hoje com mais de 50 anos de vida (bem vividos), sinto uma felicidade imensa ao rever esses ídolos se reencontrando no palco, ambos próximos dos 70 anos (um pouco mais ou menos que isto) mas tocando ainda de maneira empolgante reavivando os sonhos de “jovens senhores e senhoras” pelo mundo afora.



Quem não viveu esta época pode apenas imaginar. Eu só posso agradecer a eles por haverem embalado meus sonhos juvenis. Sou uma pessoa melhor do que seria se não os tivesse conhecido!


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