quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Ano Novo, Vida Nova!




Mais uma vez estamos às portas de um Novo Ano! Nossas esperanças renovadas de que o novo período traga consigo paz, felicidades, saúde, enfim, todos os melhores votos à humanidade.

Óbviamente, a questão da mudança do calendário é apenas uma convenção nossa, determinada pelo Calendário Gregoriano introduzido em 1582 pelo Papa Gregório XIII, em substituição ao calendário Juliano vigente desde 46 a.C, portanto, ser ou não feliz, ter saúde, paz, depende exclusivamente de nossas ações, e não da convenção estabelecida pelo mundo Cristão.

Exatamente em função desta minha convicção é que escrevo este texto. Os augúrios não me parecem dos melhores. A economia européia está desmanchando, juntamente com os EUA. No Oriente médio, anúncios de guerras e deposição de alguns ditadores históricos (o que é bom), os pobres Norte Coreanos que terão que enfrentar um novo “maluco” que sabe-se lá, o que tem na cabeça, (se é que tem algo dentro dela) e nós aqui no Brasil que encerramos o ano com um presentão do Supremo Tribunal Federal ao dar o direito ao ilustríssimo sr. Jader Barbalho de reassumir uma vaga no senado! Vocês não ficam emocionados com isto? E depois ainda temos que desejar “Bom Ano Novo” para nossos amigos? De que jeito?

Sinal dos tempos, a posse foi “presidida” pela também senadora Marta Lafavre Suplici do PT! Pasmem! Eu me negaria a fazê-lo! Mas felizmente não sou político e não preciso viver com essas manchas em minha consciência, embora não creia que grande parte dos políticos saibam ao menos o que é consciência.

O interessante nesta posse foi o “pimpolho” filhinho do Jader fazendo “caretinhas”! Não é uma gracinha o garotinho?

Se ele tivesse um pai de verdade, que o amasse e educasse corretamente, ele não faria o que fez. Eu e muitas crianças que conheço e conheci, pois hoje já são adultas, aprendemos desde pequenos que “mostrar a língua” é feio, é falta de educação e não se deve em hipótese alguma fazê-lo, muito menos para os mais velhos! Bem acredito que a culpa não deva recair sobre o menino de 9 anos, e sim sobre o irresponsável do pai que não sabe educar o filho. O fruto nunca cai longe da árvore! Aliás não era sequer para a criança estar onde estava. Posse de senador não deve ocorrer em meio a brincadeiras infantis. Isto é coisa séria!

Mas a questão é que provavelmente o garoto foi instruído pelo papaizinho a agir desta forma. Como ficaria “ruim” para um marmanjo do tamanho do Ilustríssimo Senador Jader, e ele não teria coragem para ficar mostrando a língua em público, resolveu “terceirizar o escárnio” ao pobrezinho do filho, assim poderia dizer que “foi coisa de criança”, quando na realidade aquele sentimento de desprezo estava sendo demonstrado a todos nós pelo “sangue de seu sangue”, ou seja por ele próprio na figura de seu rebento, fruto de seu amor com sua digníssima esposa! Tudo isto sob a bandeira do PT ali representado pela igualmente senadora Marta Suplici Lafavre (ou será o contrário?).

Bem, após todas essas reflexões, só me resta desejar, do fundo de meu coração, a todos os membros do Supremo Tribunal Federal, aos senadores, em especial ao digníssimo Jader e digníssima Marta, aos membros do governo federal a todos os seus familiares “per omnia saecula seculorum”, que Deus dê aos srs. e sras. em dobro tudo aquilo que temos recebido de suas brilhantes mentes, através de seus atos e decisões lastreadas em sua sabedoria e honradez! Amém!



















quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Há algo podre no reino da Dinamarca. Hamlet tupiniquim parte II



No dia 22 de novembro de 2010, postei neste blog um texto com este mesmo título.

http://www.anderrosasilva.com/2010_11_01_archive.html

Questionei a no mínimo estranha, visita do Sr. Abravanel ao Palácio do Planalto dias antes das eleições presidenciais, sendo que poucos dias depois, divulga-se a "quebra" do Banco Pan Americano, apesar da injeção de capital feita pela Caixa Economica Federal, com o nosso dinheiro! Sim provavelmente fundos do nosso FGTS!
Achei estranho, e era apenas questão de tempo para o rei ficar nu!

Para mim está explicado. Sugiro lerem duas reportagens abaixo e que tirem suas próprias conclusões.



Isto tudo é apenas a ponta do iceberg. Com certeza há muito mais abaixo da linha d'agua!

domingo, 30 de outubro de 2011

Políticamente correto














Nos dizem as Sagradas Escrituras que pecamos por "pensamentos, palavras e obras". Bem, eu iria para o inferno quando morrer, se não cresse na Misericórdia Divina que nos garante perdão para nossas fraquezas, naturais de nossa condição humana. Sou pecador, assumo, e me esforço ao máximo para não errar, para não julgar, para não discriminar, pois creio piamente no direito inalienável de todo ser humano, pensar, sentir, acreditar, viver de maneira diversa da minha crença.
Mas Deus é testemunha de quanto isto tem sido difícil ultimamente.
Quando eu era adolescente anos atrás, demonstrações de "carinho" mais ousadas em público, entre casais heterosexuais, eram abominadas por todos. Se quisessem se "amassar" que o fizessem longe do público. Palavras, brincadeiras ou "toques" com conotação sexual então, nem pensar. Podia dar cadeia!
Não sou puritano, nem assexuado, afirmo de antemão, mas creio que o respeito pelo outro deva ser sempre observado.
Hoje vivemos uma situação diversa. Crianças não podem ser repreendidas pelo professores, sob pena de processo contra o "mestre infrator", mesmo que ele corra risco de vida (quantas notícias sobre agressões contra professores temos visto recentemente?), bandidos confessos e reincidentes reclamam de "maus tratos" pela polícia, e clamam por "seus direitos" ao serem presos, pedindo a punição de seus captores, afinal "são vítimas de nossa sociedade injusta..."
Bem, o mundo é injusto, pois foi feito por humanos, e faz parte de nossa condição sermos assim, o que não deve ser tomado como lenitivo. A culpa é nossa e não apenas do governo, do vizinho, do chefe, da empresa, do "outro". "Eu sou santo, o problema são os outros!" Já assumi no início do texto: sou pecador! Mea culpa, mea máxima culpa!

Se partimos do princípio do respeito pelo outro, isto vale para ambos os lados. Não toleramos manifestações "arrojadas" de carinho em público entre heterosexuais, seja através de ações ou palavras: carinhos em áreas herógenas, palavreado inapropriado para o ambiente, etc. Porque devemos aturar isto quando trata-se de homosexuais? O problema não se resume a ser homo ou heterosexual, a questão é o príncípio: há coisas que fazemos ou falamos apenas quando estamos em casa, em lugar privado, ou, se queremos "um pouco mais de emoção" fazemos em público, mas disfarçadamente, enquanto ninguém nos observa! Ora, vale a pena correr alguns riscos na vida!
Mas descaradamente, despudoradamente, acintosamente é outra história! E as pessoas estão com medo de reclamar, de repreender, de discordar, afinal, "é preconceito"! Se eu der um "pega" em minha esposa, ou ela em mim em público, posso ser punido, ou até preso por "atentado ao pudor". Quando se trata de homossexuais todos ficam temerosos, pois afinal a transgressão pode virar-se contra você!
Volto a dizer, não se trata de problema de opção sexual, homo ou hetero, e sim de respeito pelo outro. Algo mais ou menos assim: sabemos que flatulência acomete todos os humanos, nem por isto é natural aliviar-se públicamente!
Francamente!  

domingo, 25 de setembro de 2011

DIES IRAE



 

 Dies iræ! dies illa
Solvet sæclum in favilla
Teste David cum Sibylla!
Dia da Ira, aquele dia
Em que os séculos se desfarão em cinzas,
Testemunham David e Sibila!
Quantus tremor est futurus,
quando judex est venturus,
cuncta stricte discussurus!
Quanto terror é futuro,
quando o Juiz vier,
para julgar a todos irrestritamente !

Este poema, musicado por Mozart em sua obra Requiem, veio a minha mente ao ler o comentário publicado no site do Estado de São Paulo no último dia 21 de setembro, sob o título: Balé de Leipzig apresenta 'A Grande Missa' em SP.

Não vou aqui ficar transcrevendo integralmente textos que podem ser pesquisados na internet, mas para ilustrar, apenas um trecho de comentário que saiu na imprensa sobre a instituição “Ballet de Leipzig”:

O Leipziger Ballett Mario Schröder é parte integrante de uma centenária instituição alemã: a Ópera de Leipzig. Com seus mais de três séculos dedicados à arte operística — sua história remonta a 1693 —, a Ópera de Leipzig é o terceiro palco operístico mais antigo da Europa, fundado após os de Veneza e Hamburgo.” (para o texto completo consulte http://agitosp.wordpress.com/2011/09/19/bailarina-brasileira-e-solista-do-bale-de-leipzig-que-se-apresenta-no-theatro-municipal-de-sao-paulo/).

Imperdível este espetáculo certo? Música de Wolfgang Amadeus Mozart, da famosa Missa em Dó menor, KV.427, chamada “A Grande Missa”. Tenho uma gravação desta obra entre os meus CDs. Oportunidade única de assistir ao vivo uma execução desta peça, ainda mais ver uma adaptação de gabarito para um ballet que tem uma brasileira entre suas solistas (Isis Calil de Albuquerque).

Qual não foi minha surpresa ao ler a notícia no Estado de São Paulo, dando conta que esta peça seria mais um videokê?

“Concebida dentro de um centro musical, "A Grande Missa" costuma ser apresentada sob acompanhamento de uma orquestra, um coral de crianças, além de quatro cantores solistas. No Municipal, o público terá que se contentar em ouvir a trilha de Mozart gravada.” (para o texto completo acesse http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,bale-de-leipzig-apresenta-a-grande-missa-em-sp,775516,0.htm)

"Mea culpa, mea máxima culpa"! 

Há exatos 9 meses atrás, postei neste blog um texto reclamando deste mesmo problema ao assistir o Ballet Quebra Nozes, que apelidei na ocasião de Ballet “Quebra Cara”. Encenado à época do Natal no teatro Alfa, a companhia de dança Cisne Negro usou deste artifício: playback!

“Mea culpa” pois ao comprar os ingressos para assistir Mozart, mais uma vez não verifiquei qual seria a orquestra que executaria esta peça.

Minha pergunta é apenas uma: qual é o problema conosco, brasileiros? Não temos competência para executar uma peça desta? Não temos músicos aptos? Isto é desleixo, descaso, incompetência! Obviamente não acredito nestas hipóteses que levantei, pois conheço muitos dos músicos que se apresentam em nossas orquestras, e sei que são competentes.

O que me irrita nesta situação, é que alguém dentro de um gabinete toma uma decisão desta por, no mínimo, burrice. E pior ainda é pensar que a companhia “Ballet de Leipzig” concorde com um absurdo desta monta!

Em um país como o nosso, carente de educação em geral é um crime fazer algo assim. Temos profissionais da música dedicando-se horas a fio à seus instrumentos, sem oportunidade de se apresentar, de obter seu sustento decentemente, dentre outros motivos, porque um imbecil qualquer, decide colocar um CD tocando a música para acompanhar os bailarinos. Daí esses profissionais deixam o país e fazem sucesso lá fora (como temos inúmeros exemplos) enquanto ficamos aqui com os pagodeiros, funqueiros, tocadores de tampa de lata de lixo, achando que são músicos, porque o lixo que produzem vende!

Já vi uma história semelhante há anos atrás, quando fiz uma breve incursão como “professor de música”. O aluno, um garoto de seus 13/14 anos na época, queria aprender a tocar “teclado”. Não sabia nada de música, mas tinha um “Casio” e queria aprender a tocar. Comecei explicando a teoria musical, coisas básicas como, tempo, notação musical. Lá pela segunda/terceira aula, o menino fala que “ele queria aprender a tocar, e não a ler. Que não precisava estudar tudo aquilo para tocar, pois tinha um colega que tocava um monte de músicas e nunca tinha visto aquelas coisas que eu estava ensinando”. Que músicas ele tocava? Melhor não contar-lhes o que ouvi de resposta. Indiquei ao infeliz uma banca de jornal que tinha umas revistinhas que ensinavam a tocar qualquer instrumento em “6 aulas práticas” e me livrei do pimpolho. Provavelmente ele seja o tecladista de uma dessas bandas de funk por aí.

E vamos nós aos trancos e barrancos tentando melhorar a cultura geral deste país, mas a concorrência é desleal! Com rede Globo e outras despejando o lixo cultural de suas produções, na latrina que se tornou nossos ouvidos, é difícil fazer adultos, quanto mais adolescentes pensarem, afinal, “pensar dói”. É mais fácil usar a cabeça para separar as orelhas! Os “Neymares” e as “Panicats” estão aí para dizerem que o que se tem dentro da cabeça não faz a menor diferença na busca do $uce$$o. O Lula, o PT e os políticos em geral que o digam.

Por isso repito, “Dies Irae”. Este dia chegará e choraremos copiosamente de arrependimento, e não estou falando de religião, estou falando de política, do futuro de uma nação!

domingo, 3 de julho de 2011

Itamar Franco



O Brasil está mais pobre desde ontem, e o Senado brasileiro então, nem se fala.

Lamento, pois somos um povo que não pensa; temos uma memória igual à de um peixe de aquário (dura uns 10 segundos se muito). Não damos valor à história e, portanto continuamos insistindo nos mesmos erros. Adoramos promessas, mesmo as mais impossíveis, e valorizamos muito mais os que às fazem, do que aqueles que nada prometem, mas tudo que podem, fazem.




Em abril de 1985 perdemos um grande homem, também mineiro, Sr. Tancredo Neves. Político tradicional, pessoa íntegra, primeiro ministro em nossa meteórica experiência parlamentarista. 

Tancredo assume como 1º Ministro(1961)

Naquele momento após 20 anos de ditadura militar, o candidato eleito pelo colégio eleitoral para ocupar a presidência brasileira, Dr. Tancredo como muitos o chamavam, representava a esperança de toda uma nação. Nos sensibilizamos e nos comovemos com sua agonia, sofrimento e morte. Tivemos um “feriado” no dia 22 de abril e a população acorreu às ruas para ver o féretro passar sobre um carro de bombeiro rumo ao aeroporto de Congonhas. Tancredo foi a esperança que morreu antes de concretizar-se minimamente. Ele foi apenas  uma promessa.

multidão acompanha féretro Dr. Tancredo (1985)

Velório Tancredo no Planalto

 Herdamos deste evento, um vice que nada fez que seja digno de lembrança.


Diferentemente de Tancredo Neves, que representava a esperança, Itamar Franco era vice da figura nefasta Fernando Collor.  Pegou um país, desacreditado da classe política, e nos ergueu à condição onde nos encontramos agora (embora ainda desacreditemos dos políticos).



 Não haviam promessas, houve trabalho, não havia personalismo, havia humildade, não havia empáfia, havia persistência.

Devemos nossa estabilidade monetária, fim da inflação, e relativa “prosperidade atual” a este homem, Itamar Franco.
Foi ele quem primeiro acreditou na proposta do plano Real, sendo seu principal fiador. Ele possibilitou a candidatura de FHC e viabilizou sua eleição. Tudo o que mudou neste país (como diria o Lula Molusco, nunca antes neste país...) é consequência do trabalho desta personalidade.

"Nunca antes neste país" tivemos um homem como Itamar

O resto é parasitarismo político petista: não fazem nada, mas afirmam que eles são os responsáveis por todos os sucessos. Queria ver o que teria sido do “governinho” dos últimos 8 anos, se antes não tivéssemos tido 2 brasileiros altamente capazes na posição presidencial, com destaque para o Sr. Itamar Franco.


2 grandes Homens

Parasitarismo político Petista (come os restos mas
afirma que foi o caçador)

Não nos iludamos. FHC foi um grande presidente e é um grande homem. Lula é um ótimo sindicalista, e deu a sorte de pegar o Brasil depois de Itamar e FHC. Se tivesse sido eleito no lugar do Collor, a história seria diferente, mas o grande responsável e fiador das medidas que colocaram o Brasil no rumo da estabilidade possibilitando vivermos esta relativa “prosperidade”, não é outro senão o Sr. Itamar.

Como nossa memória e curta e somos capazes apenas de entender a mediocridade dos heróis fabricados pela TV (Pedro Bial que o diga), não está havendo a “Pompa e Circunstância” que a ocasião exigiria. O povo não foi às ruas chorar o grande homem que se vai, o herói Itamar. Apenas umas discretas manifestações aqui... outras alí...

Para o Pedro Bial (e para muitos brasileiros),
herói é o cara que participa desta droga!

Desculpe-nos Sr. Itamar Franco. Somos assim mesmo: ingratos! Pobre Brasil!

domingo, 19 de junho de 2011

DIGNIDADE DE CATILINA



Estou lendo um livro fascinante da igualmente, Taylor Caldwell. Escritora natural da Inglaterra, viveu nos EUA dos 7 anos de idade até sua morte aos 84 anos em Agosto/1985.

O primeiro livro desta autora, que li foi “Médico de Homens e Almas” que fala sobre São Lucas. Agora leio “Um pilar de ferro” que trata da vida do grandioso orador, filósofo, escritor, político e advogado Marcus Tullius Cicero (106 A.C – 43 A.C).


 
Cícero, nos conta a história, foi um ardoroso defensor da república romana, que corria o sério risco de retroceder a uma monarquia absolutista, defesa inglória uma vez que Roma mergulhou em sucessivas guerras civis, onde grupos disputavam o poder entre si, com assassinatos de lado a lado e sempre os vencedores prometendo ao povo a restauração da ordem e grandiosidade romana enquanto buscavam apenas poder e proveito próprio.

Uma passagem importante da vida deste personagem e da história mundial foi quando Lucius Sergius Catilina que planejava uma revolução contra a frágil e desgastada república após anos de guerra civil, revolução esta que o colocaria em posição de destaque na “nova ordem”, tem seu plano desmascarado por Cícero que o interpela e acusa no senado romano de encomendar a morte de todos os seus desafetos para obter seu intento, em um discurso que tornou-se famoso mundialmente:




 "Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há de precipitar a tua audácia sem freio? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem os temores do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem o olhar e o aspecto destes senadores, nada disto conseguiu perturbar-te? Não sentes que os teus planos estão à vista de todos? Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem? Quem, de entre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, em que local estiveste, a quem convocaste, que deliberações foram as tuas. Ó tempos, ó costumes!"

Este excerto das “Catilinárias” como ficou conhecida a série de discursos feitos por Cícero contra Sergio Catilina no senado romano nos fala, infelizmente, de temas que ainda hoje, mais de dois mil anos depois, ainda são atuais. Em minha débil opinião, como “civilização” não aprendemos as lições que a história nos ensinou, ou os “homens” continuam mesquinhos, invejosos, dominados apenas pela ambição e poder, ou ambas as coisas.

Li ontem notícia veiculada no site do Estadão que transcrevo abaixo:

Dirceu convoca blogueiros contra ‘grande mídia’
Ao participar do Segundo Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, o ex-ministro José Dirceu convocou os blogueiros a se mobilizarem e somarem forças para o embate contra os grandes veículos de comunicação. De acordo com o ex-ministro – que se considera "o grande alvo da mídia" nos últimos dez anos –, existe uma "disputa política do direito de informar" e uma disputa comercial pela verba publicitária do governo.

"É reserva de mercado, não querem nos dar o direito de informar, querem desqualificar os blogs", afirmou Dirceu a um auditório lotado por cerca de 200 blogueiros. Dirceu defendeu a urgente regulamentação dos meios de comunicação, a concretização do programa nacional de banda larga e a aprovação do projeto de lei 116/10, que institui novas regras para o mercado de tevê por assinatura.

"É uma vergonha que isso (a regulamentação) não seja realidade. Não é de interesse de alguns grupos (de comunicação) que estão sendo contra o progresso, eles querem manter o monopólio da informação", criticou. Ele ainda desafiou o Congresso a aprovar a nova lei. "Se o Poder Legislativo é soberano e autônomo, ele fará a reforma (dos meios de comunicação)".

Num tom que lembrava o ex-líder estudantil que lutou contra a ditadura militar, Dirceu prometeu unir-se aos blogueiros no embate contra os grandes meios de comunicação. "Se não travarmos essa batalha, ela não será travada. É hora de dar um grande salto, partir pra mobilização. Estou disposto a travar essa luta junto com vocês".

A este senhor, eu, tomando por empréstimo a Cìcero seu discurso no senado romano diria:


Até quando, ó Dirceu, (podem mudar os nomes de acordo com o escândalo por Lula, Palocci etc.) abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo ainda há de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há de precipitar a tua audácia sem freio?”

Estamos no nosso Brasil, cercados por “Catilinas” e o pior, não temos nenhum Cícero que possa nos acudir!



A revolução que Sergio Catilina preparava seria através do fio da espada. A revolução proposta pelo Sr. Dirceu pretende também silenciar as vozes destoantes da Nomenklatura petista através da censura à informação. 
Os seus asseclas os autodenominados “Blogueiros Progressistas” que não sei o que isto significa, mas que prefiro chamar de “Blogueiros Inocentes Úteis” servem a uma causa que tem apenas um beneficiário: a promoção da ditadura petista travestida de democracia tal como foi na Roma antiga, e ainda é hoje em muitos países próximos a nós.

Apenas a imprensa livre, sem qualquer interferência do Estado é garantia de liberdade de expressão. Para calúnias existe a lei ordinária. Sofisma, engodo, ou se preferirem “regulamentação dos meios de comunicação” é ordinário! Digno apenas de Catilinas!

domingo, 15 de maio de 2011

12 May 2011

Na última quinta-feira 12 de maio ocorreu um fato  digno de notícia: reencontraram-se no palco Roger Waters e David Gilmor, integrantes da legendária banda Pink Floyd, para juntos, tocarem Comfortably Numb.

Vi esta notícia em todos os sites da internet, e acompanhei os vídeos que surgiram na “net” após a “efeméride”.



Bem, talvez aqueles que não curtiram o Rock dos anos 60 e 70, não entendam o significado do acontecimento.



Eu tinha apenas 13 anos quando surgiu o álbum “The dark side of the moon”. Embora criança, ouvia todas as grandes bandas da época, e comprava todos os LP’s que saíam aqui no Brasil: Yes, Emerson Lake and Palmer, Genesis, Deep Purple, e tantas outras...



Gosto de todas essas bandas até hoje, e possuo quase tudo que saiu em LP, CD e DVD, tamanha minha admiração pelas músicas e pelos músicos que as compõe, ou compuseram.



Uma noite de sábado de 1973: eu e meu amigo, filho de amigos de meus pais e meu vizinho, colega das tardes após a escola empinando pipa ou jogando bolinha de gude na calçada da rua em frente casa, calçada que era de terra, começamos cedo a curtir Rock progressivo. Aos 10 anos eu ouvia Beatles, estudava piano e com os hormônios da adolescência “a mil” sonhava com temas que não eram totalmente compreensíveis para minha tenra idade. O mundo vivia a guerra fria, o movimento hippie pregava “paz e amor”, as músicas falavam de guerra, bem e mal, liberdade, amor e as músicas especialmente do Pink Floyd eram ininteligíveis sem uma grande dose de imaginação, ou de algum “estimulante”. Eu com apenas 12/13 anos, não precisava de nenhum estimulante, apenas de minha imaginação juvenil, e uma vitrolinha em meu quarto cheio de pôsteres das “divas” da época e uma lâmpada colorida que eu colocava para criar o clima dos “bailinhos” que meus pais ainda não me permitiam freqüentar.



Ouvi extasiado pela primeira vez o LP novinho “The Dark Side of the moon”. Retirava o disco da capa com todo o cuidado, colocava-o na vitrola e quase cirurgicamente apoiava a agulha sobre a faixa inicial para ouvir o “coração batendo” que eu não sabia se era da música ou se era o meu próprio que pulsava de excitação com a música, a novidade.



Quando ouvi pela primeira vez “The Great Gig in the sky”, pensei comigo que já poderia morrer, pois havia contemplado o paraíso. Esta música ainda hoje me toca profundamente.



Ficava deitado olhando para a lâmpada colorida no teto e para os pôsteres na parede (Rose di Primo, Olívia Hussey, Brigitte Bardot e outras) e sonhando com quando tivesse dinheiro para comprar um equipamento de som de verdade e para sair com as garotas. O mundo tinha um colorido e doçura diferentes nesta época, pré Bin Laden.



Hoje com mais de 50 anos de vida (bem vividos), sinto uma felicidade imensa ao rever esses ídolos se reencontrando no palco, ambos próximos dos 70 anos (um pouco mais ou menos que isto) mas tocando ainda de maneira empolgante reavivando os sonhos de “jovens senhores e senhoras” pelo mundo afora.



Quem não viveu esta época pode apenas imaginar. Eu só posso agradecer a eles por haverem embalado meus sonhos juvenis. Sou uma pessoa melhor do que seria se não os tivesse conhecido!