segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Lula e o PT - Alucinógenos do povo - Parte II














Parte II – Na toca da raposa

E assim foi. Telefonei para o número do escritório do Dr. Lair, para obter informações, datas e local das palestras, custos e fui informado que haveria um seminário aberto em uma das próximas semanas. O seminário seria no Hotel Mazzaropi, não sei exatamente em que cidade, mas lembro-me que fui pela Rod. Presidente Dutra.


Faríamos o check-in no hotel em uma sexta-feira pela manhã e concluiríamos os trabalhos no domingo seguinte ao final da tarde. O custo com tudo incluído (alimentação, hospedagem e “material” do seminário) ficou por exatos US$ 500,00, (lembro-me perfeitamente do valor, pois fiquei “chocado”) pagos integralmente do meu bolso. Os valores estão expressos em dólar, o que era comum naquela época de hiperinflação, pois ainda não tínhamos uma moeda forte, o que só ocorreu anos depois graças a Itamar Franco e FHC. O Lula jura que a estabilização econômica  é obra dele!

Comecei minha preparação para o tal “seminário”. Pedi alguns livros escritos pelo Dr. Lair emprestado de colegas, para pelo menos ler alguns trechos e conhecer melhor “o que me esperava” naqueles 2 dias e meio. Após alguns minutos de leitura do primeiro livro cheguei a conclusão que iria perder meu tempo.



O discurso de “obter sucesso” empregado pela maioria dos autores de auto-ajuda trata o assunto de uma maneira meio messiânica, ou seja: você deve seguir e acreditar incondicionalmente no autor. Aqueles que questionam algum conceito ou a “visão” são rapidamente taxados de apóstatas, pois normalmente estes grupos são intolerantes a críticas e questionamentos.
Muitas igrejas fazem isto com seus fiéis, e garantem-lhes que serão os únicos a serem salvos no dia do Juízo Final, obviamente mediante o pagamento de uma “simbólica” quantia destinada a “obras sociais” (normalmente compra de canais de TV, rádio, financiamento de campanhas políticas, ou casas em Miami).

Para atingirem o “nirvana” basta seguir precisamente algumas receitas prontas que os autores de auto-ajuda são hábeis em prescrever. Títulos do tipo: “as 5 leis do sucesso; como ser feliz...; o poder da mente positiva; você pode...; você quer...; “ e por aí afora.“Compre este livro (não precisa nem lê-lo), e você se tornará irresistível!”
Parecem aquelas propagandas de aparelhos de ginástica que passam na TV. O locutor promete que, sem esforço algum, (afinal você fará ginástica deitado) perderá “X” toneladas de peso comendo de tudo! Dá para acreditar?

Bem, voltando aos livros que eu estava tentando ler, cheguei à conclusão que participar do seminário seria perda de tempo, mas, já havia feito o pagamento e quem sabe não poderia me surpreender positivamente?

No dia marcado, lá estava eu no Hotel Mazzaropi.

Cheguei à recepção do hotel e tive minha primeira surpresa. Por tratar-se de um seminário aberto, as pessoas que lá estavam não se conheciam. Os quartos eram duplos ou triplos, o que nos forçaria a compartilhar o espaço com um estranho. Fiquei irritado com aquilo, mas resignei-me mais uma vez pensando que talvez houvesse um “motivo oculto” que iríamos descobrir ao longo do seminário, afinal o Dr. Lair, como ele gostava de ser chamado, era tido pelos seus seguidores como “meio bruxo” e nada do que ele fazia ou dizia era ao acaso, de maneira que aquilo poderia ter alguma “razão” por enquanto desconhecida. Fui para o quarto, escolhi uma das camas, guardei minhas coisas, e fui para o salão de convenções pegar minha identificação (crachá) e o material do seminário. Não havia material a ser entregue, apenas uma relação de instruções sobre o comportamento esperado dos participantes, horários e algumas “ordens” que me intrigaram, do tipo: “os participantes do seminário ficam separados dos demais hóspedes do hotel, e só poderão se alimentar daquilo que for servido pelo seminário. Não podem servir-se do buffet reservado aos demais hóspedes; não poderão beber nada além daquilo que também for servido pelo seminário, mesmo que paguem separadamente, e em hipótese alguma poderão ingerir bebidas alcoólicas; os horários de intervalo são estes e não é admitido atraso; caso alguém ficar para fora da sala após o fechamento das portas, deverá aguardar até o início da próxima etapa”.

Pensei se o seminário seria para preparar-nos para o serviço militar...

O salão de convenções era enorme, afinal éramos mais de 100 participantes. Creio que devia ter mais de 150 m². Entramos para o início do evento. Não havia cadeiras. Ficávamos sentados no chão que era carpetado. As portas foram fechadas, tocava uma música no sistema de som e apenas os assistentes do Lair estavam lá. Acho que eram uns 10 ao todo. Um deles pegou o microfone, se apresentou, saudou os participantes e começou a falar algumas coisas que não me lembro bem. Chamava-me a atenção que o Dr. Lair não estava lá, as portas e as cortinas estavam fechadas e pensava comigo que “o mago” estava aprontando alguma “entrada triunfal” para impressionar a platéia. Dito e feito. De repente a música aumenta, se não me engano tocava “Assim falou Zaratustra” de Richard Strauss, uma cortina de fumaça é lançada sobre o palco, e no ápice da música, do meio da fumaça surge a figura do “Dr. Lair Ribeiro”.

 

Achei aquela encenação ridícula e absolutamente desnecessária, afinal não fomos até lá para um show pirotécnico de ilusionismo (pelo menos eu ingenuamente achava isto). Dou a minha mão à palmatória, pois o cara (como diria o Obama) treinou direitinho como impressionar a platéia. Ele seguramente não tem mais do que 1m60cm de altura, porém sua postura, impostação de voz, e trejeitos o deixam “grande” e exerce um “poder” sobre a audiência incauta.

De maneira enfadonha ele repetiu todas as “ordens que estavam descritas no papel que haviam nos entregado anteriormente, falou dos horários que iríamos cumprir (aliás meio malucos, sendo que em alguns dias iríamos dormir apenas algumas poucas horas) e o que mais me chamou atenção, e repetirei aqui o mais fielmente possível, dentro da possibilidade de minha memória:”- Sou Dr. em..., pela universidade de..., pós doutorado em..., pela universidade de... professor de ... na universidade...,tenho mais de ... anos de experiência em... e tenho erudição suficiente para falar aqui se quiser o tempo todo. Não serão permitidos apartes, interrupções, perguntas, exceto nos momentos que eu permitir. Meus assistentes sempre estarão na sala e qualquer pergunta ou dúvida deverá ser encaminhada a um deles. Não perguntarão diretamente à mim. Nos intervalos para marcar o horário de retorno à sala, vocês serão chamados por este som (e vibrou um diapasão) e após ouvirem este som, em 5 minutos as portas serão fechadas. Quem ficar para fora, só retorna na parte seguinte.”

Em seguida uma das assistentes subiu ao palco com um bloco de anotações, e ao lado dele perguntou se alguém ali tinha algum problema de saúde (cardiopatia, pressão, ataques) e se tomava algum remédio frequente. A assistente anotava os nomes dos que diziam que sim (em público) bem como qual remédio tomava, e para cada um, ele cochichava algo para a assistente que prontamente tomava nota. Achei estranha esta pergunta e pensei qual seria o objetivo dela? Objetivo nobre de poder ajudar cada um caso tivesse um mal súbito durante o seminário? O que iria acontecer? Ou será que estava tentando se antecipar às possíveis interações medicamentosas?















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