segunda-feira, 22 de novembro de 2010

"Há algo podre no reino da Dinamarca"

O Hamlet tupiniquim




Notícia no site do "O Estado de SP" de sábado, 20/11/2010:

"Quando a Caixa Econômica Federal comprou 35,5% do Panamericano por R$ 740 milhões, em novembro de 2009, o banco de Silvio Santos valia R$ 2,1 bilhões na Bolsa de Valores de São Paulo. Na última quinta-feira, o chamado valor de mercado havia desabado para R$ 1,2 bilhão. Ou seja, só nesse item, a instituição controlada pelo governo federal perdeu mais de R$ 320 milhões – diferença entre a participação de 35,5% em relação a R$ 2,1 bilhões e a R$ 1,2 bilhão."










Notícia do site do Terra de quarta-feira 22 de setembro de 2010, 9 dias antes do 2º turno das eleições presidenciais:

"Lula cancela reunião para receber Sílvio Santos.
Direto de Brasília
O empresário e dono do SBT, Silvio Santos, apareceu no Palácio do Planalto nesta quarta-feira para uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O apresentador disse que, durante o encontro, convidou Lula para apresentar a abertura do Teleton e pediu que o presidente fizesse uma doação pelos 12 anos do programa, que é destinado a arrecadar recursos para crianças e adolescentes com necessidades especiais."



Notícia do site do "O Estado de SP" de 09 de novembro de 2010, após a visita de Silvio Santos a Lula em Brasília, e após o 2º turno das eleições presidenciais:


"Banco Panamericano, do Grupo Silvio Santos, recebe R$ 2,5 bi para cobrir fraude.
Empréstimo para salvar banco foi obtido no Fundo Garantidor de Crédito e tem como respaldo o patrimônio do empresário e apresentador de TV.
Segundo apurou a reportagem, o rombo foi descoberto há cerca de um mês pelo Banco Central. Tinha passado despercebido pelos controles internos do Panamericano, seus auditores independentes e pelo pente-fino feito pela Caixa quando comprou uma participação de 49% do capital votante do banco, no fim de 2009".



Vejamos que o "rombo" foi descoberto no início de outubro pelo BC (pelo menos é isto que ele afirma, embora eu não acredite...) e a notícia só veio a público após o 2º turno das eleições. Inicialmente dizia-se que a Caixa e o tesouro nacional não haviam sido afetados pelos problemas financeiros do banco, e que apenas o apresentador Silvio Santos assumiria com seu próprio patrimônio a liquidez da instituição.
Tudo conversa mole. Agora começam a surgir "outras versões" para os fatos.

Hamlet o personagem Shakesperiano da peça teatral homônima, afirma, após o assassinato de seu pai, o rei da Dinamarca, pelo próprio irmão Claudio para casar-se com a rainha e herdar o trono a célebre frase: "há algo podre no reino da Dinamarca".


A podridão a que se refere Hamlet (filho) é a traição perpetrada por seu tio Claudio que envenena seu pai, também chamado Hamlet, rei Dinamarques para assumir o trono em seu lugar e casar-se com a rainha Gertrudes, até então sua cunhada. Secretamente Claudio despeja veneno no ouvido do rei. Não quer que o povo e a corte saiba de suas intenções e ambições de poder. Faz tudo às escondidas.

Hamlet o príncipe é visitado pelo espírito de seu pai que lhe conta a verdade dos fatos, e pede vingança. O problema é então transferido ao príncipe que passa seus dias tentando provar a traição do tio e vingar a morte do pai.


Somos enquanto sociedade brasileira tal como o príncipe Hamlet. Histórias mal explicadas, sobre o assassinato do Rei Hamlet (o Estado Brasileiro) para assaltar suas riquezas. Dezenas de histórias e personagens não explicados. 
Assassinato do ex-prefeito Celso Daniel, a história do mensalão, a insistência na compra dos aviões Rafale à França mais caros que seus concorrentes, e agora coincidentemente após o 2º turno das eleições presidenciais, a quase "quebra" do banco Panamericano, que teve parte de suas ações adquiridas pela Caixa Econômica Federal.
Estranho o sr. Abravanel (Silvio Santos)   ir falar com Lula pouco antes das eleições não? E sabemos que o BC "descobriu" o problema um mês antes, ou seja préviamente às eleições, mas não foi nada divulgado. Porque? Medo de influenciar o resultado das eleições?

Como o principe Hamlet, ouvimos as lamúrias e gemidos do Estado Brasileiro tentando nos alertar antes que seja tarde demais para a tentativa de envenenamento irreversível de seu organismo, lamúrias nesse caso até agora infrutíferas, em função de "censura disfarçada" através de "notas técnicas" e afirmações desencontradas sobre a verdade dos fatos.
Digo eu, Hamlet tupiniquim que "há algo podre no reino do Partido dos Trabalhadores". 

Hamlet Tupiniquim: "Há algo podre no reino do Partido dos Trabalhadores"

Na peça de Shakespeare, o príncipe consegue confirmar a versão revelada pelo espírito de seu pai, utilizando um artifício inteligente: uma troupe de artistas chega a cidade e vai encenar uma peça, e Hamlet orienta o grupo para uma cena de assassinato que ocorrerá, tal como o espectro de seu pai havia lhe informado ocorrera sua execução. No dia da apresentação da peça ele fica observando o rei Claudio, o assassino de seu pai conforme informado pelo fantasma, para perceber-lhe a reação na cena que reproduzia a execução de seu genitor, e ela é denunciadora: "Claudio muito pálido, ergue-se cambaleante..."



Bem, o PT tem se demonstrado muito bem treinado na arte da encenação, pois principalmente nosso presidente, tem a capacidade de indignar-se com ações de seu governo e de seus subordinados, como se a responsabilidade sua não fora:
"-Eu não sabia...não tinha ouvido...não havia visto...é impossível controlar..."

Não ouvi nada, não vi nada e ninguem falou nada... por isso não sabia... se não tenho conhecimento...não existe...portanto é mentira!

Enquanto isto nós Hamlets tupiniquins continuamos tentando provar a culpa dos "Claudios" que alojaram-se em Brasília, através da imprensa, ministério público, judiciário, enfim, todos os meios e instituições que ainda não tenham sido contaminados pela cobiça, cegueira, ou interesses excusos. Na grande maioria da vezes, para não corrermos o risco tal como aconteceu com o Hamlet original, de ser condenado ao exílio (tal como ocorre com o irmão de Celso Daniel em seu auto-exílio na França) ou a morte (como ocorreu com Hamlet e com o ex-prefeito Celso Daniel), fingimo-nos de loucos, enquanto a turba insana grita vivas ao novo rei e pede a extirpação dos seguidores/admiradores do antigo monarca.
Na obra Shakesperiana o personagem central, Hamlet o príncipe, morre envenenado durante um duelo por uma espada que havia sido contaminada propositadamente para este fim, ou seja, até na encenação do "duelo" os usurpadores do poder foram infames.
Já aqui nos trópicos, embora haja o cheiro fétido de infâmia no ar, a sociedade brasileira não morrerá, mas precisaremos muito mais do que uma "troupe de atores" para desvendar as traições.

  












sábado, 20 de novembro de 2010

Libelu e o PT















Li hoje no site do Estadão uma matéria que me fez voltar ao final dos anos 70 início dos 80.
O título da matéria é: "No dia em que recebe Dilma, PT volta a criticar mídia e pede democratização".
No corpo do artigo há uma frase que me chamou atenção:


 "No primeiro encontro da presidente eleita, Dilma Rousseff, com o Diretório Nacional do PT, o partido ressuscitou a tese da regulação de conteúdo da mídia. Ao final da reunião, nesta sexta-feira, 19, o PT aprovou resolução propondo a "democratização da comunicação" e "um debate qualificado acerca do conservadorismo" nos meios de comunicação e na sociedade". 
(O grifo e sublinhado são meus). 

Invasão Puc anos 70 - Foto em frente ao TUCA

Bem, quando era aluno da PUC-SP no final dos anos 70, havia uma corrente no movimento estudantil brasileiro chamada Libelu (Liberdade e Luta). As pessoas que participavam desta corrente eram fáceis de serem identificadas, primeiro pela vestimenta, pois todos pareciam haver saído diretamente do concerto de Woodstock para a universidade sem passar em casa antes para se trocar, e pelo linguajar característico: falavam muito e não diziam absolutamente nada (gente... daí...precisamos aprovar uma moção de repúdio a esta situação insustentável, daí... gente... não dá para a gente... aturar... então gente... ou tomamos uma posição em bloco...ou gente... vamos ficar mais uma vez chupando o dedo... daí...).

"saindo diretamente do concerto de Woodstock para a universidade"
  
Eu e os colegas de sala, quando o pessoal da Libelu pedia licença para o professor afim de "passar um comunicado e tirar uma posição" da classe, ficávamos marcando quantas vezes o infeliz falava "gente", "daí" e haviam também outras palavras que eram constantemente utilizadas, mesmo que significassem absolutamente nada no contexto da explanação.
"Tirar posição da classe", "aprovar moção" de alguma coisa, na maior parte das vezes era contra alguma coisa, propor uma discussão ampla e democrática, englobando todos os representantes da comunidade universitária (alunos, professores e funcionários) era a praxe.
Quando terminava a explanação do cidadão, trocávamos nossas informações: foram em 10 minutos de fala, 78 "gentes", 59 "daís" e por aí afora. Mas o mais interessante era a pergunta que todos nos fazíamos: afinal alguém entendeu o que eles quiseram dizer com, "aprovar uma resolução propondo a democratização da comunicação e um debate qualificado acerca do conservadorismo nos meios de comunicação e na sociedade" por exemplo?

Aonde eles querem chegar? Afinal qual é a proposta da Libelu para este tema? O que eles pensam? 
Invariavelmente eles não pensavam nada, apenas queriam propor a discussão por si, só. Chegamos a perguntar para o infeliz uma certa vez qual a razão daquela "proposta de discussão", o que estava errado e aonde queriam chegar, e ele simplesmente não conseguiu nos responder e ainda ficou bravo! Ou seja, a "proposta de discussão" era apenas porque alguém dentro da Libelu acordou de manhã e pensou: que fato novo vamos criar hoje para tumultuar a universidade?
"que fato novo vamos criar hoje para tumultuar a universidade"?

Bem, muitos dos antigos integrantes da Libelu hoje estão no PT, talvez por isso a frase característica no encontro do partido conforme noticiado no Estadão:

 "Aprovar uma resolução propondo a democratização da comunicação e um debate qualificado acerca do conservadorismo dos meios de comunicação da sociedade".










Alguns membros da Libelu: Palocci, Gushiken e Luis Favre, ex da hoje senadora eleita Dna. Marta Suplicy

O que significa isto? O que querem dizer? Aonde querem chegar? Estão partindo de quais premissas? O que estão insinuando e não querem falar abertamente?  Falam, falam e não dizem absolutamente nada. Escondem propositadamente o que está por trás, não falando abertamente. É para a sociedade menos esclarecida não entender?

O PT continua na década de 70. O tempo não passou para eles (eles não se olham no espelho para não serem contrariados), haja visto seus ídolos todos da época da guerra fria (inclusive as idéias) tais como Che Guevara, Fidel, e os seguidores dessas idéias atualmente, na Venezuela, Bolívia e Paraguai. Embora estejamos no século 21 acho que o Brasil está caminhando como rabo-de-cavalo, para trás e para baixo!
Espero sinceramente estar enganado!

Rabo de cavalo é bom ficar para baixo, pois quando levanta-se sabemos o que esperar!


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Novela das 9h:tem certeza?




Cena de Don Giovanni



Estou lendo um livro interessantíssimo. Trata-se do “Queda de Gigantes” de Ken Follett. É um épico que contará a história do século passado. Digo contará, pois apenas o primeiro volume da trilogia está nas livrarias. Os 2 subseqüentes pelo que fui informado, ainda estão sendo escritos.

Não sei por que muitas vezes abdicamos de uma ótima e instrutiva leitura para assistir TV. Alguns diriam que “são estórias muito chatas essas contidas nos livros”.

O livro de Ken Follett possui todos os ingredientes das novelas: amor, poder, paixão, ambição, traição, dinheiro, sexo, interesses escusos, porém é história e não estória. Alguns dos personagens existiram na realidade e as tramas principais são nossas velhas conhecidas, tais como a 1ª guerra mundial, revolução bolchevique na Rússia, casamentos de reis e rainhas etc. Há um trecho no livro que se passa em um teatro, enquanto os personagens assistem a uma ópera: Don Giovanni de Mozart. Algum outro amigo do Lula Molusco (aquele do desenho do Bob Esponja...) diria: “ahh, isto é coisa de burguês; porque não vai assistir o rebolation?”

“isto é coisa de burguês; porque não vai assistir o rebolation?”

Bem, até o Lula Molusco iria se surpreender com a história de Don Giovanni. Trata-se de uma ópera bufa, ou seja, comédia, que conta a estória de um “pilantra” que “traça” todas as mulheres que aparecem a sua frente. De muito bom gosto sem ser apelativo como o “Zorra não sei o que, ou a Praça não sei das quantas, ou Escolinha não sei de quem”, pois não ofende nossa inteligência e a música...ahhh a música... só foi composta por Mozart.


Mozart? Compunha muito mal. Prefiro Rebolation: é muito melhor!
Já havia assistido a trechos desta ópera, mas nunca inteira, até domingo passado. Tenho o DVD e tirei umas boas horas ontem à tarde para vê-la. Primorosa, e uma prova de que não há limites para os gênios. Conseguir transformar uma estória banal, que nas mãos de outro compositor menos talentoso tornaria-se algo fútil, em uma obra prima reconhecida há mais de 200 anos. E ainda perdemos tempo assistindo novelas!
 Engana-se quem julga que ópera é coisa “chata”, maçante, sem tempero. Além de serem estórias lindíssimas, falam dos mesmos assuntos que as novelas, só que sem comercial e a “ousadia” fica em nossas cabeças, forçando-nos a exercer a imaginação. Com os livros dá-se o mesmo: Queda de Gigantes consegue nos prender com sua trama parte real parte fictícia! Se todos os professores de história fossem iguais ao autor deste livro, com certeza os alunos teriam mais interesse nas aulas!

Ambos (o livro e a ópera) são garantia de diversão!

Segue “palhinha” com 2 trechos da ópera: final do primeiro ato quando Don Giovanni dá uma festa como pretexto para se aproximar e “abater” mais uma de suas “vítimas” que trata-se de uma camponesa no dia de seu casamento, e o final da ópera, quando o fantasma do comendador vem condenar o mulherengo Don Giovanni pelos pecados cometidos contra tantas donzelas indefesas enganando-as para possuí-las. O tema é muito diferente nas novelas? 
























segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Lula e o PT - Alucinógenos do povo - Parte II














Parte II – Na toca da raposa

E assim foi. Telefonei para o número do escritório do Dr. Lair, para obter informações, datas e local das palestras, custos e fui informado que haveria um seminário aberto em uma das próximas semanas. O seminário seria no Hotel Mazzaropi, não sei exatamente em que cidade, mas lembro-me que fui pela Rod. Presidente Dutra.


Faríamos o check-in no hotel em uma sexta-feira pela manhã e concluiríamos os trabalhos no domingo seguinte ao final da tarde. O custo com tudo incluído (alimentação, hospedagem e “material” do seminário) ficou por exatos US$ 500,00, (lembro-me perfeitamente do valor, pois fiquei “chocado”) pagos integralmente do meu bolso. Os valores estão expressos em dólar, o que era comum naquela época de hiperinflação, pois ainda não tínhamos uma moeda forte, o que só ocorreu anos depois graças a Itamar Franco e FHC. O Lula jura que a estabilização econômica  é obra dele!

Comecei minha preparação para o tal “seminário”. Pedi alguns livros escritos pelo Dr. Lair emprestado de colegas, para pelo menos ler alguns trechos e conhecer melhor “o que me esperava” naqueles 2 dias e meio. Após alguns minutos de leitura do primeiro livro cheguei a conclusão que iria perder meu tempo.



O discurso de “obter sucesso” empregado pela maioria dos autores de auto-ajuda trata o assunto de uma maneira meio messiânica, ou seja: você deve seguir e acreditar incondicionalmente no autor. Aqueles que questionam algum conceito ou a “visão” são rapidamente taxados de apóstatas, pois normalmente estes grupos são intolerantes a críticas e questionamentos.
Muitas igrejas fazem isto com seus fiéis, e garantem-lhes que serão os únicos a serem salvos no dia do Juízo Final, obviamente mediante o pagamento de uma “simbólica” quantia destinada a “obras sociais” (normalmente compra de canais de TV, rádio, financiamento de campanhas políticas, ou casas em Miami).

Para atingirem o “nirvana” basta seguir precisamente algumas receitas prontas que os autores de auto-ajuda são hábeis em prescrever. Títulos do tipo: “as 5 leis do sucesso; como ser feliz...; o poder da mente positiva; você pode...; você quer...; “ e por aí afora.“Compre este livro (não precisa nem lê-lo), e você se tornará irresistível!”
Parecem aquelas propagandas de aparelhos de ginástica que passam na TV. O locutor promete que, sem esforço algum, (afinal você fará ginástica deitado) perderá “X” toneladas de peso comendo de tudo! Dá para acreditar?

Bem, voltando aos livros que eu estava tentando ler, cheguei à conclusão que participar do seminário seria perda de tempo, mas, já havia feito o pagamento e quem sabe não poderia me surpreender positivamente?

No dia marcado, lá estava eu no Hotel Mazzaropi.

Cheguei à recepção do hotel e tive minha primeira surpresa. Por tratar-se de um seminário aberto, as pessoas que lá estavam não se conheciam. Os quartos eram duplos ou triplos, o que nos forçaria a compartilhar o espaço com um estranho. Fiquei irritado com aquilo, mas resignei-me mais uma vez pensando que talvez houvesse um “motivo oculto” que iríamos descobrir ao longo do seminário, afinal o Dr. Lair, como ele gostava de ser chamado, era tido pelos seus seguidores como “meio bruxo” e nada do que ele fazia ou dizia era ao acaso, de maneira que aquilo poderia ter alguma “razão” por enquanto desconhecida. Fui para o quarto, escolhi uma das camas, guardei minhas coisas, e fui para o salão de convenções pegar minha identificação (crachá) e o material do seminário. Não havia material a ser entregue, apenas uma relação de instruções sobre o comportamento esperado dos participantes, horários e algumas “ordens” que me intrigaram, do tipo: “os participantes do seminário ficam separados dos demais hóspedes do hotel, e só poderão se alimentar daquilo que for servido pelo seminário. Não podem servir-se do buffet reservado aos demais hóspedes; não poderão beber nada além daquilo que também for servido pelo seminário, mesmo que paguem separadamente, e em hipótese alguma poderão ingerir bebidas alcoólicas; os horários de intervalo são estes e não é admitido atraso; caso alguém ficar para fora da sala após o fechamento das portas, deverá aguardar até o início da próxima etapa”.

Pensei se o seminário seria para preparar-nos para o serviço militar...

O salão de convenções era enorme, afinal éramos mais de 100 participantes. Creio que devia ter mais de 150 m². Entramos para o início do evento. Não havia cadeiras. Ficávamos sentados no chão que era carpetado. As portas foram fechadas, tocava uma música no sistema de som e apenas os assistentes do Lair estavam lá. Acho que eram uns 10 ao todo. Um deles pegou o microfone, se apresentou, saudou os participantes e começou a falar algumas coisas que não me lembro bem. Chamava-me a atenção que o Dr. Lair não estava lá, as portas e as cortinas estavam fechadas e pensava comigo que “o mago” estava aprontando alguma “entrada triunfal” para impressionar a platéia. Dito e feito. De repente a música aumenta, se não me engano tocava “Assim falou Zaratustra” de Richard Strauss, uma cortina de fumaça é lançada sobre o palco, e no ápice da música, do meio da fumaça surge a figura do “Dr. Lair Ribeiro”.

 

Achei aquela encenação ridícula e absolutamente desnecessária, afinal não fomos até lá para um show pirotécnico de ilusionismo (pelo menos eu ingenuamente achava isto). Dou a minha mão à palmatória, pois o cara (como diria o Obama) treinou direitinho como impressionar a platéia. Ele seguramente não tem mais do que 1m60cm de altura, porém sua postura, impostação de voz, e trejeitos o deixam “grande” e exerce um “poder” sobre a audiência incauta.

De maneira enfadonha ele repetiu todas as “ordens que estavam descritas no papel que haviam nos entregado anteriormente, falou dos horários que iríamos cumprir (aliás meio malucos, sendo que em alguns dias iríamos dormir apenas algumas poucas horas) e o que mais me chamou atenção, e repetirei aqui o mais fielmente possível, dentro da possibilidade de minha memória:”- Sou Dr. em..., pela universidade de..., pós doutorado em..., pela universidade de... professor de ... na universidade...,tenho mais de ... anos de experiência em... e tenho erudição suficiente para falar aqui se quiser o tempo todo. Não serão permitidos apartes, interrupções, perguntas, exceto nos momentos que eu permitir. Meus assistentes sempre estarão na sala e qualquer pergunta ou dúvida deverá ser encaminhada a um deles. Não perguntarão diretamente à mim. Nos intervalos para marcar o horário de retorno à sala, vocês serão chamados por este som (e vibrou um diapasão) e após ouvirem este som, em 5 minutos as portas serão fechadas. Quem ficar para fora, só retorna na parte seguinte.”

Em seguida uma das assistentes subiu ao palco com um bloco de anotações, e ao lado dele perguntou se alguém ali tinha algum problema de saúde (cardiopatia, pressão, ataques) e se tomava algum remédio frequente. A assistente anotava os nomes dos que diziam que sim (em público) bem como qual remédio tomava, e para cada um, ele cochichava algo para a assistente que prontamente tomava nota. Achei estranha esta pergunta e pensei qual seria o objetivo dela? Objetivo nobre de poder ajudar cada um caso tivesse um mal súbito durante o seminário? O que iria acontecer? Ou será que estava tentando se antecipar às possíveis interações medicamentosas?