sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Porque não voto no PT - Parte II


“Reminiscências da Ditadura” 

Fiquei “adormecido” destas conjecturas até os meus 14/15 anos, quando já cursando o Colegial no Instituto de Educação Estadual Nossa Senhora da Penha, e trabalhando como “menor aprendiz” no Banco do Brasil de Guarulhos, pela manhã ao ir trabalhar, comprava todos os dias na banca de jornal que havia em frente ao ponto de ônibus na Av. Guarulhos próximo ao supermercado Kawamoto, um exemplar ou do “O Estado de SP” ou da “Folha de SP”, e o lia de cabo a rabo.  
Comecei a me interessar pela política. Observei e condenei o fechamento do congresso pelo então presidente Geisel, para edição do pacote de Abril, acompanhei a censura ao jornal Estadão (por incrível que pareça ele hoje em outubro/2010 ainda está sob censura...), que publicava receitas culinárias ou poemas de Camões em suas páginas em função da censura; fiquei indignado com a prisão e “morte” do jornalista Wladimir Herzog. Escrevi inúmeras vezes para a “Coluna do leitor” do Estadão e alguns textos meus chegaram a ser publicados (resumidamente é claro).


Levava os jornais para a escola e conversávamos todos os colegas na porta da escola, sobre os acontecimentos e nos indignávamos. Censura às musicas de Chico Buarque, a peças de teatro, a filmes no cinema. Queríamos ser livres. Pensar, agir, de maneira responsável, mas livres. O mundo vivia a era “Peace and Love” os Beatles embora não existissem mais ainda faziam sucesso, as músicas de protesto de John Lennon.

O país ainda era dividido. De um lado os militares, e de outro a sociedade civil que clamava por liberdade. Não era mais o comunismo (mal) X o capitalismo (bem), embora a cortina de ferro ainda existisse, mas aqui no Brasil a questão era liberdade X censura. Militar X Civil, eleições diretas ou indiretas.













Em 1979 entrei para a PUC-SP e tive contato mais próximo com os “contestadores” da época. Aquilo fervia de idéias, e ideais. O Tuca e o Tuquinha sempre eram usados para manifestações políticas (mesmo após a invasão de 77). Após a anistia, participei de palestras no Tuca e me lembro de uma em especial que foi ministrada pelo Educador Paulo Freire (creio que em 1980 ou 1981), pouco após seu retorno do exílio.












 Surgia nesta época o PT em 1980 mais ou menos. Este partido formado basicamente por intelectuais de esquerda, nomes que foram, e em alguns casos ainda são referência em suas áreas de trabalho, e um líder sindical do ABC chamado Lula, que desafiava a ordem estabelecida e enquanto sindicalista, entendendo o anseio do povo trabalhador, clama por liberdade, e pelo direito de reivindicar melhores condições de trabalho, e como participante do Partido dos Trabalhadores, exigia eleições livres e democráticas. Naquele momento este movimento (sindical), embora estivesse focado no sindicato dos metalúrgicos do ABC, representava de certa forma o anseio de todos os trabalhadores.












 Já o PT ainda imberbe, na cola de outros partidos (MDB e posteriormente PMDB), com os Srs. Ulisses Guimarães, FHC, Montoro, Covas, Serra, e outros nomes que não lembrarei agora, uniu uma nação em torno de um ideal, e juntos acabamos com a censura, com a divisão de “favoráveis X contrários”. A dicotomia entre sociedade civil X militares tem fim após tantas idas e vindas (movimento das diretas já, com emenda Dante de Oliveira, candidatura pela oposição do General Euler Bentes Monteiro). Tancredo Neves é eleito pelo colégio eleitoral primeiro presidente civil pós 64.



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