terça-feira, 1 de setembro de 2009

II Grande Guerra: Há 70 anos o início do horror


(a esquerda jornal da época anunciando a invasão da Polônia, e a direita a Igreja do "Dente Cariado" em Berlim no ano de 2000)



                                                                                                      
Há exatos 70 anos tinha início uma das mais horrendas páginas da história mundial. A Polônia era invadida pelos alemães, exatamente no 1º de setembro de 1939 às 4h45’. Este dia passou oficialmente para a história como o princípio da II Grande Guerra.

Na realidade a Alemanha de Hitler já havia anexado outros territórios, e o prenúncio da guerra já teria ocorrido alguns anos antes, mas a displicência principalmente da Grã Bretanha e França, e por conseqüência de sua população para com os “sinais” que se viam no horizonte foram fundamentais para que o conflito chegasse às proporções que efetivamente chegou.

É aquela velha história que já cansamos de ver no dia-a-dia: “isto não é comigo e não vou me meter; eles que se entendam.” França e Grã Bretanha subestimaram a capacidade de liderança de um desequilibrado mental, e embora ele tenha dado demonstrações indeléveis de suas más intenções desde o início quando ainda não era ninguém no cenário político germânico. Após sua ascensão à função de Chanceler Alemão, esta “tolerância” serviu-lhe de alimento fortalecendo sua posição dentro de seu país adotivo (ele era austríaco como sabemos), no cenário europeu e mundial. Isto é o que Sir Winston S. Churchill nos relata em seu livro “Memórias da Segunda Guerra Mundial”.
Muitas vidas foram perdidas, muito dinheiro foi gasto na fabricação das máquinas de guerra, no transporte de tropas e mantimentos e ao final, na reconstrução da Europa. As marcas desta catástrofe, ainda existem em alguns corpos (sobreviventes feridos ou mutilados), prédios (em Berlim há uma Igreja que não foi reconstruída propositalmente para servir de Memorial e é chamada de “Dente Cariado”), e nas almas dos que viveram os horrores (pelo mundo afora), e embora estejam fisicamente sãos, ainda sentem as dores das lembranças dos entes queridos que sucumbiram.
Tive contato com pessoas que moram na Alemanha e que me contaram pessoalmente em um “tour” pela cidade de Bremen no norte do país, a medida que caminhávamos, cenas de bombardeios no exato local onde estávamos naquele momento, dizendo que haviam “corrido para lá”, apontando com o dedo, o local onde houve um “bunker” para proteção de bombardeios aéreos, e que ao término quando deixaram sua proteção, ao saírem de volta às ruas, o prédio que existia “aqui” havia se transformado em ruínas. Sobre as águas do Rio Weser que cruzávamos naquele momento “eram lançadas toras de madeira e galhos de árvores para de alguma maneira impossibilitar a visão do rio a partir dos aviões, confundindo os pilotos, e impedindo que eles entrassem, voando rio acima, e destruíssem importantes centros industriais que situavam-se próximos de suas margens e a própria cidade”.
Bem, eu estava na Alemanha, nação que iniciou o conflito, portanto eles estavam sofrendo as conseqüências de seus atos, porém, o sofrimento que uma guerra traz para a população como um todo é a mesma, independente de qual lado se esteja, ainda mais neste caso que foram oposição ao nazismo.
O trauma da guerra ainda era presente em algumas destas pessoas quando lá estive no ano de 1997, e pude observá-lo ao vivo quando uma comemoração com fogos de artifício iniciou-se, e presenciei o desespero, a tentativa de esconder-se e o choro de uma destas pessoas, tal o medo que a lembrança dos sons das bombas causava em sua alma.

 Caminhei pelas ruas de Munique, Frankfurt, Stuttgart, Bremerhaven, Berlim e vi em todas elas algum monumento que remetia ao conflito. Nós brasileiros, (exceto os combatentes) não temos a menor idéia do sofrimento, privação e dor que a população dos países envolvidos no conflito passou. Ser invadido, privado dos seus mais básicos direitos como ir e vir, possuir seus bens pessoais (casa, mobília) ainda mais se fizesse parte do grupo “inimigo” composto por judeus, gays deficientes, ciganos etc. Ver de perto e ouvir da boca de testemunhas oculares dá uma pequena idéia, mas ainda pálida e imprecisa.
Mas a história serve para que aprendamos com ela. Olhar para o passado, entendê-lo é condição básica de crescimento e desenvolvimento e de não repetir erros. Um povo sem memória perde sua humanidade, sua identidade e sua capacidade de distinguir os sinais que se apresentam.
Hitler iniciou sua cruzada xenófoba apelando para os sentimentos de inferioridade que dominavam o povo germânico pós Primeira guerra. A Alemanha estava arrasada economicamente e sujeita ao Tratado de Versalhes que lhe impunha severas restrições. Como líder, ele “tirou o pior” de seus liderados.

Sentimentos de raiva, ódio, vingança, preconceito, para com isto oferecer-lhes a “salvação” com a promessa de uma sociedade superior, de um Reich de Mil Anos, formado apenas pelos alemães sãos, fortes e puros, com a eliminação do que ele chamava de “escória”. Vemos ainda hoje estes sinais surgindo a todo instante no horizonte, e muitas vezes achamos que não é conosco. Não precisamos ir ao oriente médio para observá-lo. Vemos aqui em nossa face diuturnamente e no Brasil. Membros de igrejas neo pentecostais invadindo, agredindo, destruindo propriedades e execrando membros de credos diferentes (católicos, espíritas, umbandistas). A intolerância política: membros de partidos “diferentes” do “oficial” (aquele que está no poder) sendo perseguidos (Venezuela, Equador e mais disfarçadamente aqui no Brasil). Censura a imprensa (Venezuela, Brasil, Equador). O próprio governo brasileiro por vezes através de seu discurso populista cria propositadamente um abismo entre cidadãos, ao atribuir as denúncias de corrupção em seu governo aos detentores do poder econômico, as grandes corporações e aos ricos e abastados, que estariam se rebelando contra a “melhoria da qualidade de vida” das classes menos privilegiadas. O sistema de cotas nas universidades, no serviço público, e por aí vai. Tudo isto joga irmão contra irmão. Cria o “caldo cultural” necessário para que se instale a intolerância e o pré conceito, tal como Hitler o fez na Alemanha afim de atingir unicamente os seus objetivos pessoais. Ele se sentia inferiorizado pela sociedade da época, antes de tornar-se o plenipotenciário Führer, (segundo Joachim Fest em seu livro Hitler) e para mostrar ao mundo o tamanho de seu ego, levou um povo inteiro ao abismo e juntamente com eles o restante do planeta, só porque...ele queria...ele tinha o poder.

As massas são manipuláveis e ele usou este conhecimento brilhantemente. Grã Bretanha e França primeiro, e Estados Unidos mais adiante, acharam que aquilo não os afetava, não era com eles, e com o passar do tempo, descobriram que a “lagartixa” era um “dragão de komodo”, mas daí era tarde demais.
A grande lição que fica destes eventos é que não podemos nos alienar e tornarmo-nos massa de manobra do governante de plantão. Em sua grande maioria eles estão apenas preocupados com sua própria vaidade e fazem de tudo para que o “seu objetivo pessoal” torne-se o objetivo de todo um povo, ou pelo menos de sua maioria e vemos isto indiscriminadamente pelo mundo afora, mas com ênfase nos governos populistas sul americanos incluindo o brasileiro. Para isto usam artimanhas como criar inimigos através do incitamento à luta de classes, ao preconceito criando a casta dos exploradores e dos explorados através da contraposição de objetivos, a figura do antípoda. Foi assim através da história em todas as civilizações e parece que não aprendemos. Lutar contra a ignorância, intolerância os preconceitos a manipulação creio ser a melhor maneira de não deixar ter sido em vão as mortes ocorridas durante este conflito mundial.


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