quarta-feira, 26 de agosto de 2009

PT: Virgens Vestais?



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Tive a rara oportunidade de visitar as ruínas da cidade bíblica de Éfeso.


A guia que conduzia o grupo nos mostrou o que restou de um templo na cidade, onde viviam as "Virgens Vestais". Eram donzelas muito bem preparadas intelectualmente e tinham como uma de suas principais funções, manterem aceso o fogo sagrado do templo (virgens vestais: assistentes da deusa romana do fogo Vesta).
Por definição, essas mulheres deveriam ser intocadas e assim deveriam manter-se até completarem 30 anos de serviço à deusa, o que acontecia mais ou menos aos 40 anos de idade. O desrespeito a esta regra, implicaria na punição até por morte, enterradas vivas ou atiradas de um penhasco, e o homem que as profanasse seria condenado à forca. Daí uma provável origem do ditado "a vida começa aos 40 anos", aludindo à situação destas mulheres que se viam livres de suas obrigações de castidade, por volta de seu quarto decênio, momento este que poderiam decidir entre continuar servindo a divindade até sua morte, ou se preferissem, deixariam o serviço no templo podendo então se casar.


Bem, o que o PT brasileiro em 2009 tem com isto? Nada! Absolutamente nada!


As virgens vestais eram escolhidas antes da sua puberdade para ingressar no sacerdócio e não tinham nenhum poder para rebelarem-se contra esta decisão familiar. Os que entram para o PT (e outros partidos em geral) entram por livre e espontânea vontade e por concordar com a “visão de governo e ideais partidários” (ou será por conveniência e interesse?).


As virgens vestais passavam por uma preparação intelectual esmerada para ocupar esta função, e sob uma disciplina militar: aprendiam latim, estórias sobre a vida de sua deusa Vesta, e eram letradas em questões de Estado. Para se tornar um político petista ou de qualquer outro partido, basta colocar a digital na ficha de inscrição. O critério de reputação ilibada, família honesta etc., dotes intelectuais, condições fundamentais para ser escolhida pelos sacerdotes como candidata a “virgem vestal”, está fora de cogitação para aplicação aos partidos políticos.


Elas (as vestais) eram respeitadas pela população em geral pela sua sabedoria sendo consultadas sobre muitos assuntos, inclusive para questões de estado, assim como as Pitonisas do Oráculo de Delfos séculos antes o foram. Os partidos também são consultados, seus líderes são ouvidos e envolvidos, e todos se engalfinham qual cardume de sardinhas em torno dos pedaços de comida lançadas pelos barcos (as grandes corporações, lobistas, licitações, repasse de verbas federais etc.) e que flutuam na superfície da água pútrida e estagnada que os envolve chamada de regimento interno, comissão de ética, fidelidade partidária, voto da liderança, foro privilegiado etc. e tal. Este último grupo não goza do respeito da maioria da população esclarecida e nem de seus pares, afinal como os cachorros, todos sabem o cheiro que o rabo do outro tem. A população só não os “escracha” de vez, porque por incrível que pareça existem leis que se aplicam apenas a eles, garantindo imunidade às críticas dos outros, coisa que não se aplica ao cidadão comum, que pode ser "achincalhado" pelas leis draconianas aprovadas por eles (em benefício próprio) visando enfiar legalmente as mãos em nossos bolsos, maneira politicamente correta de chamar “roubo ou estelionato” de impostos para o bem comum (ONGs de familiares de políticos, MSTs da vida, sindicatos, “hermanos” de Bolívia, Venezuela em troca de apoio político etc.).


Bem, então porque a comparação entre os partidos (em especial o PT) com as tais donzelas?


Na realidade em função da aparência que o PT, especialmente ele, sempre quis passar para o povo: um partido limpo, livre dos vícios do “velho modo de fazer política”, coisas que durante anos, antes de chegar ao poder, foram profícuos em denunciar. O PT antes de “Lula Lá” era ou mostrava-se uma “virgem vestal”. Pura, intelectual, preocupada com seus deveres para com a deusa, no caso do PT, preocupado com o povo e com a correição administrativa estatal, honradez no trato da coisa pública, transparência, sinceridade e acima de tudo lisura. Mas o poder corrompe, e sabemos que quando se tem o poder nas mãos, há também as “moscas de padaria”, que orbitam em torno dos salões de festas de todas as repúblicas, monarquias etc. pelo mundo afora, hábeis em adular, mentir, fazer falsos elogios, na ânsia de com isto obter algum óbolo do governante. O PT acreditou nos elogios e julgou ser “um deus” ou no mínimo um representante do divino. Perderam o senso crítico, perderam a razão e estão inebriados com os índices de popularidade do presidente, e com os “elogios” recebidos por ele publicamente de figuras, como por exemplo, o novo presidente americano. Acreditou tanto, que qualquer palavra do Presidente, pessoa iletrada e sem formação intelectual formal alguma, aliás, qualidade que ele propala aos quatro ventos, vira profunda reflexão filosófica, tal como no filme com o inesquecível Peter Sellers “Muito Além do Jardim”.


O partido vê sua imagem refletida (já falei em outro artigo neste blog sobre o PT e o retrato de Dorian Gray) em um espelho imaginário, e o que enxerga é uma linda donzela, altiva, em suas vestes brancas impolutas, idealista, respeitável, superior ao ser humano comum pela sua importância influência e proximidade com a deusa. Os mortais, estes sim, são débeis ingênuos, incapazes de discernir o certo do errado, dependentes da magnanimidade e justiça que emana apenas dos deuses do Olimpo, e das interpretações que somente os iniciados petistas conseguem fazer da realidade dos fatos, tal como as Vestais e as Pitonisas faziam sob o efeito das emanações divinais.


O que acontece? Na realidade o PT gostaria de ser assim, mas não o é. Foi seduzido pelo poder. Assim como o próprio diabo tentou Jesus no deserto, dizendo “tudo isto te darei se prostrado, me adorares” e O Cristo resistiu, o PT também foi tentado, mas não possuindo a mesma convicção em seus princípios e ideais, rendeu-se sucumbindo à tentação. Começou com o Lula sendo ovacionado pela população, pois ele representava a salvação. Em seguida as “moscas de padaria” que normalmente aparecem nestas horas, se incumbiram de minar sua “pouca fé” adulando-o, e ao partido, e... eles se renderam. Como diz um velho ditado “se queres conhecer a verdadeira índole de uma pessoa, dê a ela o poder”. E assim foi; a verdadeira face surgiu. E a pretensa virgem, tenta manter as aparências, e clama pela pureza e castidade de todos alardeando a suas virtudes (“Nunca antes neste país se viu, se fez, se conquistou...”) para agradar a turba e fazer teatro, mas nos corredores escuros do poder, sabe-se que a “virgem”, entrega-se na calada da noite às mais bizarras orgias, capazes de fazer enrubescer a mais experiente messalina.


Não é isto que vemos quando assistimos na TV as justificativas e defesas de políticos do PT e de políticos de partidos outrora “inimigos fidalgais”? O Partido dos Trabalhadores, que empunhou bandeiras históricas neste país na luta pela redemocratização, contra a corrupção o coronelismo, defendendo o Sr. José Sarney, tentando impedir apuração de irregularidades por ele cometidas enquanto Presidente do Senado? Fernando Collor (outro ex inimigo), Ideli Salvatti, Dilma Roussef, e o próprio Lula entrando na parada para “blindar” o coronel maranhense, eleito senador pelo Amapá? E querem que acreditemos que isto é armação da oposição? Quem é a oposição afinal de contas, se antigos inimigos estão hoje ombreando a mesma trincheira? E o silêncio dos demais membros ilustres? Eduardo Suplicy surge na bancada do senado, depois que a vaca foi para o brejo e “encena” a expulsão do senador Sarney com um cartão vermelho? Porque não gritou antes da porta arrombada? E o Aloísio Mercadante que atuou brilhantemente dizendo que iria renunciar a liderança do partido em caráter irrevogável (eu cheguei a acreditar que fosse verdade!), e após 15 minutos de conversa com o chefe, volta atrás?


Querer que acreditemos nesta peça Dantesca é nos chamar de néscios!


Agora o golpe de misericórdia em nossas cabeças, é no dia seguinte ao arquivamento de todas as denúncias, os tais “atos secretos” que foram o estopim da crise, serem efetivados, agora às claras com cobertura da imprensa, pelo mesmo senhor que à pouco estava na berlinda!


A tradução: “povo imbecil: quem manda aqui somos nós, e como prova disto, não apenas saímos ilesos como reafirmamos tudo aquilo que haviamos feito e os transformamos em lei a partir de agora! E daí o que vocês irão fazer?”


E o jornal Estado de São Paulo está sob censura há mais de 20 dias, impossibilitado de publicar linha sobre a investigação e ninguém no Judiciário faz nada! Lei, ora lei!


É isto que merecemos como governo? Talvez sim.


De minha parte, mais quatro ou oito anos com Dilma, depois Lula novamente mais oito, e por fim Zé Dirceu, Deus me livre!

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