quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Compras diretamente do Champ Élysées











Nada melhor do que viver em um país desenvolvido. Após as obras do PAC terem solucionado todos os problemas de infraestrutura do país, tais como energia, transporte de cargas e de pessoas, nossas rodovias federais estão uma maravilha, a educação vai de vento em popa, a saúde então... nem se fala, fico feliz em saber que fomos às compras.
Diretamente da França, e quem nos atendeu? O Presidente Sarkozy em pessoa.

O Lula falando: - Dê-me lá 3 desses submarinos... uhmmm, e este aqui é nuclear? (olhando no catálogo)

- Oui en effet, responde Sarkozy.

- Sim, certamente, traduz o intérprete.

- Pois então quero experimentar um destes, retruca Lula.

-Deixe-me ver a lista de compras se não estou esquecendo nada... Ah... sabia... faltam ainda alguns aviões caça vocês tem?

- Oui (Sarkozy novamente).

- Sim (o intérprete).

- Mas esses caças lançam mísseis ou só bombas comuns? interpela Lula.

-Non. ils sont prêts à lancer des missiles Exsocet, mais comme tout accessoire doit être acheté séparément. Ils sont comme des voitures françaises que nous vendons à vous, certains éléments sont obligatoires, les autres éléments doivent être payés séparément, comme la climatisation, vitres électriques, etc, responde Sarkozi.

- Não, eles são preparados para lançar mísseis, mas o acessório que faz isto deve ser pago a parte assim como nos carros franceses que compramos, temos que pagar pelos vidros elétricos, ar condicionado etc., traduz o intérprete.

-Ok pode fechar a conta e mande para o “tesouro nacional” pagar (nós mesmos os contribuintes).

Bem, obviamente isto é uma piada, aliás, como foi este processo todo. É como se não tivéssemos nenhum outro problema mais urgente e importante para resolver com o nosso rico dinheirinho.

Afinal nos livramos do grande risco de sermos invadidos pelo Paraguai que ainda quer receber mais pela energia de Itaipu, ou quem sabe a Bolívia poderia querer nos subjugar, pois o Evo Morales também quer receber mais pelo gás que nos exporta, ou a Argentina ainda não conformada com a derrota para a seleção canarinho no último final de semana (3X1), poderia querer nos obrigar a ouvir apenas tango pela eternidade, ou até o Hugo Chávez esteja ainda enciumado com o fato de o Obama haver dito que o "Lula é o cara" (não sei o que ele quis dizer com isto, mas...) e esteja planejando invadir a floresta amazônica com auxílio da Rússia ou do Irã.

De qualquer maneira, afastadas estas ameaças, podemos nos preocupar agora apenas com os ladrões, assaltantes, traficantes, PCCs, Comandos Vermelhos, Amarelos, Roxos (igual ao Collor), que habitam entre nós, além de obviamente nos preocuparmos também e principalmente com os nossos políticos que a exemplo do Sr. Sarney, continuam legislando em causa própria como se estivessem na casa da sogra.

A justificativa do governo foi brilhante: defender o pré-sal!

Imagino um navio estrangeiro ancorado em nossa costa, fingindo que estão olhando o pôr-do-sol brasileiro, ouvindo Axé e tomando cerveja, enquanto parte da tripulação escondida nos porões do navio tenta bombear para seus tanques o rico petróleo que está quase a flor d'água, algo em torno de 6 mil metros. Uma mangueira daquelas de "chupar combustível do tanque do carro", e um coitado "roxo" (que nem o Collor de novo) de tanto sugar o raio da mangueira sem sucesso...

Seria cômico, não fosse trágico. Sem licitação, sem discussão prévia, sem consulta ao Senado ou Câmara dos deputados, ainda com valores superiores ao oferecido por outros países, sob o pretexto de “transferência de tecnologia”, porém o que não se fala é que a tecnologia que estão nos vendendo está obsoleta, afinal por motivos óbvios (segurança) não vão nos entregar os seus segredos atuais. É mais ou menos como comprar hoje um computador Pentium III com 500 mb de memória DIM, (tecnologia de 10/15 anos atrás) ou seja não dá nem para instalar o Windows Vista.

Enfim, vamos ver os próximos lances desta ópera bufa, pois parece que a aeronáutica não estava sabendo de nada, o congresso acordou e resolveu perguntar o porquê da pressa... coisas do Brasil!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

II Grande Guerra: Há 70 anos o início do horror


(a esquerda jornal da época anunciando a invasão da Polônia, e a direita a Igreja do "Dente Cariado" em Berlim no ano de 2000)



                                                                                                      
Há exatos 70 anos tinha início uma das mais horrendas páginas da história mundial. A Polônia era invadida pelos alemães, exatamente no 1º de setembro de 1939 às 4h45’. Este dia passou oficialmente para a história como o princípio da II Grande Guerra.

Na realidade a Alemanha de Hitler já havia anexado outros territórios, e o prenúncio da guerra já teria ocorrido alguns anos antes, mas a displicência principalmente da Grã Bretanha e França, e por conseqüência de sua população para com os “sinais” que se viam no horizonte foram fundamentais para que o conflito chegasse às proporções que efetivamente chegou.

É aquela velha história que já cansamos de ver no dia-a-dia: “isto não é comigo e não vou me meter; eles que se entendam.” França e Grã Bretanha subestimaram a capacidade de liderança de um desequilibrado mental, e embora ele tenha dado demonstrações indeléveis de suas más intenções desde o início quando ainda não era ninguém no cenário político germânico. Após sua ascensão à função de Chanceler Alemão, esta “tolerância” serviu-lhe de alimento fortalecendo sua posição dentro de seu país adotivo (ele era austríaco como sabemos), no cenário europeu e mundial. Isto é o que Sir Winston S. Churchill nos relata em seu livro “Memórias da Segunda Guerra Mundial”.
Muitas vidas foram perdidas, muito dinheiro foi gasto na fabricação das máquinas de guerra, no transporte de tropas e mantimentos e ao final, na reconstrução da Europa. As marcas desta catástrofe, ainda existem em alguns corpos (sobreviventes feridos ou mutilados), prédios (em Berlim há uma Igreja que não foi reconstruída propositalmente para servir de Memorial e é chamada de “Dente Cariado”), e nas almas dos que viveram os horrores (pelo mundo afora), e embora estejam fisicamente sãos, ainda sentem as dores das lembranças dos entes queridos que sucumbiram.
Tive contato com pessoas que moram na Alemanha e que me contaram pessoalmente em um “tour” pela cidade de Bremen no norte do país, a medida que caminhávamos, cenas de bombardeios no exato local onde estávamos naquele momento, dizendo que haviam “corrido para lá”, apontando com o dedo, o local onde houve um “bunker” para proteção de bombardeios aéreos, e que ao término quando deixaram sua proteção, ao saírem de volta às ruas, o prédio que existia “aqui” havia se transformado em ruínas. Sobre as águas do Rio Weser que cruzávamos naquele momento “eram lançadas toras de madeira e galhos de árvores para de alguma maneira impossibilitar a visão do rio a partir dos aviões, confundindo os pilotos, e impedindo que eles entrassem, voando rio acima, e destruíssem importantes centros industriais que situavam-se próximos de suas margens e a própria cidade”.
Bem, eu estava na Alemanha, nação que iniciou o conflito, portanto eles estavam sofrendo as conseqüências de seus atos, porém, o sofrimento que uma guerra traz para a população como um todo é a mesma, independente de qual lado se esteja, ainda mais neste caso que foram oposição ao nazismo.
O trauma da guerra ainda era presente em algumas destas pessoas quando lá estive no ano de 1997, e pude observá-lo ao vivo quando uma comemoração com fogos de artifício iniciou-se, e presenciei o desespero, a tentativa de esconder-se e o choro de uma destas pessoas, tal o medo que a lembrança dos sons das bombas causava em sua alma.

 Caminhei pelas ruas de Munique, Frankfurt, Stuttgart, Bremerhaven, Berlim e vi em todas elas algum monumento que remetia ao conflito. Nós brasileiros, (exceto os combatentes) não temos a menor idéia do sofrimento, privação e dor que a população dos países envolvidos no conflito passou. Ser invadido, privado dos seus mais básicos direitos como ir e vir, possuir seus bens pessoais (casa, mobília) ainda mais se fizesse parte do grupo “inimigo” composto por judeus, gays deficientes, ciganos etc. Ver de perto e ouvir da boca de testemunhas oculares dá uma pequena idéia, mas ainda pálida e imprecisa.
Mas a história serve para que aprendamos com ela. Olhar para o passado, entendê-lo é condição básica de crescimento e desenvolvimento e de não repetir erros. Um povo sem memória perde sua humanidade, sua identidade e sua capacidade de distinguir os sinais que se apresentam.
Hitler iniciou sua cruzada xenófoba apelando para os sentimentos de inferioridade que dominavam o povo germânico pós Primeira guerra. A Alemanha estava arrasada economicamente e sujeita ao Tratado de Versalhes que lhe impunha severas restrições. Como líder, ele “tirou o pior” de seus liderados.

Sentimentos de raiva, ódio, vingança, preconceito, para com isto oferecer-lhes a “salvação” com a promessa de uma sociedade superior, de um Reich de Mil Anos, formado apenas pelos alemães sãos, fortes e puros, com a eliminação do que ele chamava de “escória”. Vemos ainda hoje estes sinais surgindo a todo instante no horizonte, e muitas vezes achamos que não é conosco. Não precisamos ir ao oriente médio para observá-lo. Vemos aqui em nossa face diuturnamente e no Brasil. Membros de igrejas neo pentecostais invadindo, agredindo, destruindo propriedades e execrando membros de credos diferentes (católicos, espíritas, umbandistas). A intolerância política: membros de partidos “diferentes” do “oficial” (aquele que está no poder) sendo perseguidos (Venezuela, Equador e mais disfarçadamente aqui no Brasil). Censura a imprensa (Venezuela, Brasil, Equador). O próprio governo brasileiro por vezes através de seu discurso populista cria propositadamente um abismo entre cidadãos, ao atribuir as denúncias de corrupção em seu governo aos detentores do poder econômico, as grandes corporações e aos ricos e abastados, que estariam se rebelando contra a “melhoria da qualidade de vida” das classes menos privilegiadas. O sistema de cotas nas universidades, no serviço público, e por aí vai. Tudo isto joga irmão contra irmão. Cria o “caldo cultural” necessário para que se instale a intolerância e o pré conceito, tal como Hitler o fez na Alemanha afim de atingir unicamente os seus objetivos pessoais. Ele se sentia inferiorizado pela sociedade da época, antes de tornar-se o plenipotenciário Führer, (segundo Joachim Fest em seu livro Hitler) e para mostrar ao mundo o tamanho de seu ego, levou um povo inteiro ao abismo e juntamente com eles o restante do planeta, só porque...ele queria...ele tinha o poder.

As massas são manipuláveis e ele usou este conhecimento brilhantemente. Grã Bretanha e França primeiro, e Estados Unidos mais adiante, acharam que aquilo não os afetava, não era com eles, e com o passar do tempo, descobriram que a “lagartixa” era um “dragão de komodo”, mas daí era tarde demais.
A grande lição que fica destes eventos é que não podemos nos alienar e tornarmo-nos massa de manobra do governante de plantão. Em sua grande maioria eles estão apenas preocupados com sua própria vaidade e fazem de tudo para que o “seu objetivo pessoal” torne-se o objetivo de todo um povo, ou pelo menos de sua maioria e vemos isto indiscriminadamente pelo mundo afora, mas com ênfase nos governos populistas sul americanos incluindo o brasileiro. Para isto usam artimanhas como criar inimigos através do incitamento à luta de classes, ao preconceito criando a casta dos exploradores e dos explorados através da contraposição de objetivos, a figura do antípoda. Foi assim através da história em todas as civilizações e parece que não aprendemos. Lutar contra a ignorância, intolerância os preconceitos a manipulação creio ser a melhor maneira de não deixar ter sido em vão as mortes ocorridas durante este conflito mundial.


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Música

Ontem domingão bonito de sol e calor e um cheirinho de quase primavera no ar, não é dia para se falar de política. Quero escrever sobre música e compartilhar um vídeo que achei após uma busca no YouTube: uma apresentação do Bolero de Ravel feita pela orquestra Filarmonica de Berlim sob a regência de Daniel Barenboim. Uma daquelas apresentações públicas a céu aberto em um parque qualquer de Berlim, ou alguma outra cidade européia, coisa que nós brasileiros estamos acostumadíssimos a ver aqui em SP (ahahahah).
Esta belíssima peça executada em ostinato, ou seja, a repetição de um tema quase que “indefinidamente” é impar, pois apesar da sua simplicidade melódica, sua construção harmônica é riquíssima. Ravel explorou brilhantemente a coloração dos diferentes timbres dos instrumentos, principalmente os sopros (metais e madeira). A música inicia-se com a percurssão: uma caixa repetindo durante toda a execução, o ritmo que caracteriza a música, acompanhada pelos instrumentos de arco em pizzicato, ou seja, “beliscando” a corda sem a utilização do arco. Em seguida iniciam-se os “solos” dos sopros (metais e madeira) repetindo exatamente a mesma frase, mas com diferentes “cores” em função dos diferentes timbres (mais “abertos” no caso dos metais, trombone, trompa, saxofone etc., ou mais “fechados” no caso das madeiras, oboé, clarineta, fagote, flautas) até que por último as cordas (violinos, violas, violoncelos e contra-baixos) se unem aos sopros, repetindo o mesmo tema em crescendo até o final. Nestes dois vídeos dá para se perceber claramente o que tento descrever. O grande segredo e perigo desta música para os maestros: não deixar que os músicos acelerem ou diminuam o ritmo durante a execução (coisa muito fácil de acontecer se não prestar a devida atenção), e tão grave quanto isto ou até pior, “dosar o crescendo” de maneira que o som máximo seja atingido apenas ao final da música. Assistir esta apresentação ao vivo é garantia de diversão!
P.S.: são dois vídeos com parte 1 e 2

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

PT: Virgens Vestais?



X

Tive a rara oportunidade de visitar as ruínas da cidade bíblica de Éfeso.


A guia que conduzia o grupo nos mostrou o que restou de um templo na cidade, onde viviam as "Virgens Vestais". Eram donzelas muito bem preparadas intelectualmente e tinham como uma de suas principais funções, manterem aceso o fogo sagrado do templo (virgens vestais: assistentes da deusa romana do fogo Vesta).
Por definição, essas mulheres deveriam ser intocadas e assim deveriam manter-se até completarem 30 anos de serviço à deusa, o que acontecia mais ou menos aos 40 anos de idade. O desrespeito a esta regra, implicaria na punição até por morte, enterradas vivas ou atiradas de um penhasco, e o homem que as profanasse seria condenado à forca. Daí uma provável origem do ditado "a vida começa aos 40 anos", aludindo à situação destas mulheres que se viam livres de suas obrigações de castidade, por volta de seu quarto decênio, momento este que poderiam decidir entre continuar servindo a divindade até sua morte, ou se preferissem, deixariam o serviço no templo podendo então se casar.


Bem, o que o PT brasileiro em 2009 tem com isto? Nada! Absolutamente nada!


As virgens vestais eram escolhidas antes da sua puberdade para ingressar no sacerdócio e não tinham nenhum poder para rebelarem-se contra esta decisão familiar. Os que entram para o PT (e outros partidos em geral) entram por livre e espontânea vontade e por concordar com a “visão de governo e ideais partidários” (ou será por conveniência e interesse?).


As virgens vestais passavam por uma preparação intelectual esmerada para ocupar esta função, e sob uma disciplina militar: aprendiam latim, estórias sobre a vida de sua deusa Vesta, e eram letradas em questões de Estado. Para se tornar um político petista ou de qualquer outro partido, basta colocar a digital na ficha de inscrição. O critério de reputação ilibada, família honesta etc., dotes intelectuais, condições fundamentais para ser escolhida pelos sacerdotes como candidata a “virgem vestal”, está fora de cogitação para aplicação aos partidos políticos.


Elas (as vestais) eram respeitadas pela população em geral pela sua sabedoria sendo consultadas sobre muitos assuntos, inclusive para questões de estado, assim como as Pitonisas do Oráculo de Delfos séculos antes o foram. Os partidos também são consultados, seus líderes são ouvidos e envolvidos, e todos se engalfinham qual cardume de sardinhas em torno dos pedaços de comida lançadas pelos barcos (as grandes corporações, lobistas, licitações, repasse de verbas federais etc.) e que flutuam na superfície da água pútrida e estagnada que os envolve chamada de regimento interno, comissão de ética, fidelidade partidária, voto da liderança, foro privilegiado etc. e tal. Este último grupo não goza do respeito da maioria da população esclarecida e nem de seus pares, afinal como os cachorros, todos sabem o cheiro que o rabo do outro tem. A população só não os “escracha” de vez, porque por incrível que pareça existem leis que se aplicam apenas a eles, garantindo imunidade às críticas dos outros, coisa que não se aplica ao cidadão comum, que pode ser "achincalhado" pelas leis draconianas aprovadas por eles (em benefício próprio) visando enfiar legalmente as mãos em nossos bolsos, maneira politicamente correta de chamar “roubo ou estelionato” de impostos para o bem comum (ONGs de familiares de políticos, MSTs da vida, sindicatos, “hermanos” de Bolívia, Venezuela em troca de apoio político etc.).


Bem, então porque a comparação entre os partidos (em especial o PT) com as tais donzelas?


Na realidade em função da aparência que o PT, especialmente ele, sempre quis passar para o povo: um partido limpo, livre dos vícios do “velho modo de fazer política”, coisas que durante anos, antes de chegar ao poder, foram profícuos em denunciar. O PT antes de “Lula Lá” era ou mostrava-se uma “virgem vestal”. Pura, intelectual, preocupada com seus deveres para com a deusa, no caso do PT, preocupado com o povo e com a correição administrativa estatal, honradez no trato da coisa pública, transparência, sinceridade e acima de tudo lisura. Mas o poder corrompe, e sabemos que quando se tem o poder nas mãos, há também as “moscas de padaria”, que orbitam em torno dos salões de festas de todas as repúblicas, monarquias etc. pelo mundo afora, hábeis em adular, mentir, fazer falsos elogios, na ânsia de com isto obter algum óbolo do governante. O PT acreditou nos elogios e julgou ser “um deus” ou no mínimo um representante do divino. Perderam o senso crítico, perderam a razão e estão inebriados com os índices de popularidade do presidente, e com os “elogios” recebidos por ele publicamente de figuras, como por exemplo, o novo presidente americano. Acreditou tanto, que qualquer palavra do Presidente, pessoa iletrada e sem formação intelectual formal alguma, aliás, qualidade que ele propala aos quatro ventos, vira profunda reflexão filosófica, tal como no filme com o inesquecível Peter Sellers “Muito Além do Jardim”.


O partido vê sua imagem refletida (já falei em outro artigo neste blog sobre o PT e o retrato de Dorian Gray) em um espelho imaginário, e o que enxerga é uma linda donzela, altiva, em suas vestes brancas impolutas, idealista, respeitável, superior ao ser humano comum pela sua importância influência e proximidade com a deusa. Os mortais, estes sim, são débeis ingênuos, incapazes de discernir o certo do errado, dependentes da magnanimidade e justiça que emana apenas dos deuses do Olimpo, e das interpretações que somente os iniciados petistas conseguem fazer da realidade dos fatos, tal como as Vestais e as Pitonisas faziam sob o efeito das emanações divinais.


O que acontece? Na realidade o PT gostaria de ser assim, mas não o é. Foi seduzido pelo poder. Assim como o próprio diabo tentou Jesus no deserto, dizendo “tudo isto te darei se prostrado, me adorares” e O Cristo resistiu, o PT também foi tentado, mas não possuindo a mesma convicção em seus princípios e ideais, rendeu-se sucumbindo à tentação. Começou com o Lula sendo ovacionado pela população, pois ele representava a salvação. Em seguida as “moscas de padaria” que normalmente aparecem nestas horas, se incumbiram de minar sua “pouca fé” adulando-o, e ao partido, e... eles se renderam. Como diz um velho ditado “se queres conhecer a verdadeira índole de uma pessoa, dê a ela o poder”. E assim foi; a verdadeira face surgiu. E a pretensa virgem, tenta manter as aparências, e clama pela pureza e castidade de todos alardeando a suas virtudes (“Nunca antes neste país se viu, se fez, se conquistou...”) para agradar a turba e fazer teatro, mas nos corredores escuros do poder, sabe-se que a “virgem”, entrega-se na calada da noite às mais bizarras orgias, capazes de fazer enrubescer a mais experiente messalina.


Não é isto que vemos quando assistimos na TV as justificativas e defesas de políticos do PT e de políticos de partidos outrora “inimigos fidalgais”? O Partido dos Trabalhadores, que empunhou bandeiras históricas neste país na luta pela redemocratização, contra a corrupção o coronelismo, defendendo o Sr. José Sarney, tentando impedir apuração de irregularidades por ele cometidas enquanto Presidente do Senado? Fernando Collor (outro ex inimigo), Ideli Salvatti, Dilma Roussef, e o próprio Lula entrando na parada para “blindar” o coronel maranhense, eleito senador pelo Amapá? E querem que acreditemos que isto é armação da oposição? Quem é a oposição afinal de contas, se antigos inimigos estão hoje ombreando a mesma trincheira? E o silêncio dos demais membros ilustres? Eduardo Suplicy surge na bancada do senado, depois que a vaca foi para o brejo e “encena” a expulsão do senador Sarney com um cartão vermelho? Porque não gritou antes da porta arrombada? E o Aloísio Mercadante que atuou brilhantemente dizendo que iria renunciar a liderança do partido em caráter irrevogável (eu cheguei a acreditar que fosse verdade!), e após 15 minutos de conversa com o chefe, volta atrás?


Querer que acreditemos nesta peça Dantesca é nos chamar de néscios!


Agora o golpe de misericórdia em nossas cabeças, é no dia seguinte ao arquivamento de todas as denúncias, os tais “atos secretos” que foram o estopim da crise, serem efetivados, agora às claras com cobertura da imprensa, pelo mesmo senhor que à pouco estava na berlinda!


A tradução: “povo imbecil: quem manda aqui somos nós, e como prova disto, não apenas saímos ilesos como reafirmamos tudo aquilo que haviamos feito e os transformamos em lei a partir de agora! E daí o que vocês irão fazer?”


E o jornal Estado de São Paulo está sob censura há mais de 20 dias, impossibilitado de publicar linha sobre a investigação e ninguém no Judiciário faz nada! Lei, ora lei!


É isto que merecemos como governo? Talvez sim.


De minha parte, mais quatro ou oito anos com Dilma, depois Lula novamente mais oito, e por fim Zé Dirceu, Deus me livre!

domingo, 2 de agosto de 2009

Tom Jobim

Quem me conhece, sabe que sou fã incondicional de Tom Jobim e conseqüentemente da Bossa Nova. Ele foi um compositor dotado de dom inigualável. Em minha opinião poucos músicos brasileiros atingem sua estatura. No dia 13 de julho, redigi uma postagem comemorando mais um aniversário da Revolução Francesa (14 de julho). Nela fiz uma referência a uma música do Tom, chamada Chansong, que fala de alguma maneira sobre a França. Esta música não me era muito conhecida, até que, ao comprar um CD do mestre a descobri, e esta passou a ser uma das minhas favoritas. Não tanto pela beleza melódica, afinal ele compôs músicas memoráveis cujos temas são conhecidos mundialmente, mas muito mais pela forma como ele trabalhou a construção melódica para os propósitos da letra. Vou tentar explicar: ele inicia com uma melodia típicamente carioca, que me lembra o mar, a brisa, a praia de Ipanema, como se estivesse no Rio de Janeiro. Esta é a introdução. Em seguida com o início da letra que foi feita originalmente em inglês, ele já chegou em Nova York e está sendo entrevistado pela imigração. Coisa chata e estressante esta, não? Neste trecho, a melodia fica "travada", ou seja, difícil de entender para onde ela irá, como o "tema" será resolvido, com muitas dissonâncias. Ele chega ao hotel e tem ainda que participar de um coquetel, embora esteja cansado da viajem. Já no coquetel seu amigo lhe apresenta uma dama (Glória), e a partir daí a melodia se transforma em um "hino" à beleza, ao amor, à Paris, à sensualidade. Aqui segue uma interpretação minha (fiz esta gravação em minha casa em meu piano digital em outubro/2007) desta pérola Jobiniana, e de "lambuja" segue também, "Eu sei que vou te amar", outro hino ao Amor do nosso Antonio Brasileiro.

domingo, 19 de julho de 2009

Estética: A natureza do belo



O que é belo? Como definir algo belo? O belo é igual para todos?
Bem, não sou filósofo, mas estas perguntas me intrigam. O belo está diretamente ligado a lógica e a ética, portanto nossas experiências de vida, nossos valores, influenciam nosso julgamento sobre o que seja "belo". Por isto muitas vezes discordo visceralmente de alguns críticos de arte, pois eles julgam segundo seus próprios conceitos e pré-conceitos que não são necessariamente iguais aos meus. O belo me emociona, me faz sonhar, me faz "viajar" muda minha relação com o objeto de arte e com o mundo. Eu me aproprio de uma parte de sua essência, e transformo esta percepção, algo intangível, em algo que faça sentido em meu repertório de vida, e aquilo me modifica e é modificado por mim. Algo como uma música: o que o músico sentia e pensava no momento de sua composição? Nunca saberei, mas a música que eu ouço gera uma torrente de sentimentos, reacende lembranças e me faz feliz ou triste. A música é a mesma que qualquer outra pessoa escuta, mas para mim ela passa a ter um significado diferente do que tinha quando criada pelo compositor. Ou seja, ela "me modifica" e eu "a modifico". O belo muda nossa relação com o mundo e conosco. Esta é a essência da arte. Alguns artistas tem um dom excepcional para retratar o belo (dentro de meu conceito de beleza).Seja na música, na pintura, escultura, ou, mais recentemente (1800 para cá) na fotografia.
Descobri um site na web de um fotógrafo francês, chamado Jean François Rauzier . Não são meras fotografias, pois elas transmitem uma mensagem...pelo menos para mim. Há tecnologia "embarcada" também nas fotos, pois ao escolher uma delas, você pode aproximá-la tanto ao ponto de "parecer estar fazendo parte da cena". Há um mistério nas fotos, uma reflexão... as fotos não são um "fim em si mesmas". Elas continuam em nossa memória gerando idéias, sensações, conjecturas. Isto para mim é belo. Isto para mim é arte!

http://www.rauzier-hyperphoto.com/category/galeries/

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Queda da Bastilha 14 de julho



Ahhhhhh, Paris à l'été! La musique, le parfum, l'amour dans l'air ...

Até o nosso brasileiríssimo Tom Jobim falou de Paris em uma música belíssima chamada Chansong. Na realidade ele fala de Paris na música por acaso... Eu imagino pela letra da música ele falava de uma mulher. Conheceu-a em New York: "When I arrived in New York, the immigration officer asked me..." Ele conta que cansado após uma viagem até lá (creio que partindo do Brasil) teria ainda que participar de um cocktail "late that afternoon". Meio desanimado com a idéia, ele "leva a melodia meio arrastada e dúbia" até o momento em que lhe é apresentada "Glória" (...may I introduce you to Glória...). Bem, daí para frente a música é outra e as referências a Paris e a França são muitas e insinuam... romance.

Mas a Paris da Revolução Francesa não foi nada romântica, pois para proclamar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, dar fim a monarquia absolutista sob o lema "Liberté, égalité, fraternité" que até hoje influencia nossa vidas aqui no ocidente, muito sangue correu. Minha reverência ao povo que naquela época (com infinitamente menos informações do que temos hoje) tomou nas mãos as rédeas de seus destinos e com coragem rebelou-se contra a tirania, o preconceito a servidão e a miséria!

Como é que pode? Duas coisas tão antagônicas?

domingo, 12 de julho de 2009

É permitido ser "gente"!






Ouvi outro dia uma história surreal: funcionários do Wal-Mart aqui de São Paulo (não sei se só daqui, nem ao menos se a história não é "estória"), devem obrigatóriamente seguir uma política imbecil, não sei se do RH da empresa ou da direção, que se chama algo parecido com a "política dos três metros". Ela preconiza que nenhum dos empregados pode dar mais que 3 passos dentro das lojas sem sorrir. Até então era uma "estória", mas agora no site do Estado de São Paulo de hoje, 12 de julho, li algo idêntico acontecendo no Japão(prova de que a imbecilidade é contagiosa). Para não dizerem que estou mentindo, aqueles que quiserem podem consultar diretamente a fonte:

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,computador-vai-fiscalizar-sorrisos-de-funcionarios-de-trens-no-japao,401631,0.htm

Será que estes "seres" não percebem que gente não é máquina? Será que entendem que as pessoas "normais" ficam tristes, sentem dor, se emocionam, se distraem, se ocupam e se preocupam também?
Alguns profissionais de RH em breve vão comparecer (alguns apenas porque "virou moda") a novos seminários sobre a "terapia do sorriso". Já imagino o nome dos eventos:
"Agregando valor ao seu produto/serviço: O sorriso de seu empregado como diferencial competitivo no novo milênio".
Façam-me o favor! Bom atendimento, cordialidade e educação, não significa usar uma máscara! Os processos seletivos existem para contratar pessoas com todas as suas emoções, carências, deficiências e qualidades. Se não querem isto, economizem o dinheiro gasto com seleção e contratem robôs!

sábado, 11 de julho de 2009

Mais Música



Esta quem descobriu no YouTube foi minha espôsa. A tecnologia é uma coisa impressionante. Uma das mais conhecidas obras de J.S. Bach, a Toccata e Fuga em Ré Menor, aparece neste "vídeo" como se fosse uma nova forma de "notação musical". A comparação é meio forçada, mas é cabível. As frases ficam nítidas mesmo para os não iniciados em leitura musical. As cores além de separarem o que é mão direita, esquerda ou pedaleira, mostra o timbre das notas que são executadas: cores mais escuras, notas mais graves; mais claras, agudas. Dá para perceber inclusive a duração de cada nota (representadas por pontos ou traços). Só assistindo!

Feriado Chuvoso

Memórias
Aproveitei o sábado chuvoso, para organizar minhas coisas. Este trabalho "silencioso" permite achar coisas que há tempo não víamos. Comprei há algum tempo atrás um DVD "Concert for George", gravado na Inglaterra, com a participação de famosos músicos que tiveram a oportunidade de conhecer e trabalhar com George Harrison. Não acho que a morte (embora triste) deva nos abater e tirar de nós a alegria de viver e de lembrar os bons aspectos da personalidade de nossos ente queridos que "já partiram". Este show no Albert Hall é uma celebração a genialidade do músico George Harrison, e ao seu bom humor, haja visto a participação especial do grupo Monty Python, de quem o ilustre compositor e músico era fã (fiquei sabendo disto quando comprei o vídeo). Vale a pena consultar o vídeo no You Tube, quando a troupe de comediantes homenageia o Ex-Beatle. Ótimo senso de humor!


Aliás segue também a letra das duas músicas que o grupo canta: "Sit on my face" e "The Lumberjack".
The Lumberjack
I'm a lumberjack, and I'm okay.
I sleep all night and I work all day.
MOUNTIES: He's a lumberjack, and he's okay.
He sleeps all night and he works all day.
BARBER: I cut down trees. I eat my lunch.
I go to the lavatory.On Wednesdays I go shoppin'
And have buttered scones for tea.
MOUNTIES: He cuts down trees. He eats his lunch.
He goes to the lavatory.On Wednesdays he goes shopping
And has buttered scones for tea.
He's a lumberjack, and he's okay.
He sleeps all night and he works all day.
BARBER: I cut down trees. I skip and jump.
I like to press wild flowers. I put on women's clothing
And hang around in bars.
MOUNTIES: He cuts down trees. He skips and jumps.
He likes to press wild flowers.He puts on women's clothing
And hangs around in bars?!
He's a lumberjack, and he's okay.He sleeps all night and he works all day.
BARBER: I cut down trees. I wear high heels,
Suspendies, and a bra.I wish I'd been a girlie,
Just like my dear Papa.
MOUNTIES:]He cuts down trees. He wears high heels,
Suspendies, and a bra?![talking]What's this? Wants to be a girlie?!
Oh, My!And I thought you were so rugged! Poofter!...
[singing]He's a lumberjack, and he's okay.
He sleeps all night and he works all day.
He's a lumberjack, and he's okaaaaay.
He sleeps all night and he works all day.
Sit on my face
Sit on my face and tell me that you love me,
I'll sit on your face and tell you I love you, too.
I love to hear you o-ra-lize,When I'm between your thighs,
You blow me awaaay. Sit on my face and let my lips embrace you,
I'll sit on your face and then I'll love you tru-ly.
Life can be fine if we both sixty-nine,
If we sit on our facesIn all sorts of placesAnd play...'till we're blown awaaaaaaaaaay.