terça-feira, 11 de julho de 2006

Se eu fosse escrever uma carta para o Presidente Lula...


Caríssimo Presidente Luis Inácio Lula da Silva:

Desde sua eleição em 2002, temos mantido uma estreita relação.
Embora não seja de seu conhecimento, mesmo quando vou para o meu merecido descanso diário, após uma jornada de pelo menos 10 horas de trabalho árduo, o senhor e as realizações de seu governo povoam meus sonhos. Chego ao ponto, tal como alguns que costumam consultar o horóscopo antes de tomar qualquer decisão, consultar jornais, internet enfim, todos os meios de comunicação existentes afim de saber sobre suas últimas declarações antes de tomar alguma decisão, afinal mais de 30% do meu rendimento mensal (1/3 aproximadamente) estão irremediavelmente comprometidos, graças a suas idéias de governo.
Caríssimo presidente, está difícil conviver com essa situação. Quando vejo suas despesas através da imprensa, cada dia mais preciso encontrar justificativas convincentes para minha família sobre porque mando essa gorda mesada para os cofres da União, ao invés de gastá-la em casa. Minha filha precisou parar seus estudos de música, minha esposa não pôde matricular-se em uma academia, estamos tentando comprar nossa casa própria, mas o valor que posso comprometer como prestação mensal para o financiamento através da Caixa Econômica Federal é menor do que lhe envio mensalmente através de meu contracheque, quando vamos ao supermercado tenho que ser o chato que “regula” a compra daqueles itens supérfluos, como, sabonete, creme dental, xampu, arroz, feijão, carne, pão, afinal, solicito que comprem o mais barato, ou não comprem. Gostaria de melhorar o padrão de meu plano de saúde familiar mas não está sendo possível e no final de tudo ainda tenho que ouvir reclamações do tipo: “-quando é para a União é do bom e do melhor”, afinal sua lista de compras na feira foi divulgada na TV caso o senhor não saiba em função de seus inúmeros compromissos nacionais e internacionais, e os preços eram assombrosos. Reconheço que a qualidade dos gêneros alimentícios que o senhor consome deva ser de primeira, mas, garanto que mesmo que os mande buscar no Ceasa em SP, além da qualidade ser irreparável, com o frete incluído ainda será mais barato do que os preços divulgados. Estou tentando ajudá-lo a fazer uma economia em prol do meu bolso, pois também, seguindo seu exemplo de vida, gostaria de duplicar meu microscópico patrimônio, tornando-o pelo menos visível a olho nu em quatro anos. Isso pode parecer uma tentativa de “legislar em causa própria”, egoísmo de minha parte, afinal alguns irmãos meus desta imensa nação brasileira, não faz a menor idéia do que significa “fazer compra mensal” de sabonete, xampu, carne, arroz e outros itens como já disse supérfluos, muito menos ter uma escola decente para os filhos ou um hospital ao menos limpo para tratar de sua saúde. Mas o problema, caríssimo presidente, é que o dinheiro que eu e outros irmãos brasileiros temos enviado para Brasília mensalmente, não chega às mesas dos menos favorecidos, às escolas de seus filhos e nem aos hospitais, principalmente porque não há escolas ou hospitais. Desta forma, os menos favorecidos continuam em sua pobreza, dependendo cada vez mais da bondade quadrienal dos governos, e nós (classe média) que poderíamos ajudar a custear de alguma forma essa necessária melhoria na distribuição de renda, estamos sendo obrigados a custear despesas que não sabemos exatamente a que se destinam, como por exemplo os cartões de crédito governamentais, a manutenção de um novo avião para suas viagens, pagamentos de deputados para que votem medidas do interesse da bancada petista, e agora mais uma, emprestar nossos parcos recursos através do BNDES para a Bolívia, que sem fazer nenhuma análise de risco mais profunda, afirmo, não honrará esse empréstimo. E mais um detalhe caríssimo presidente, mesmo que honrem, não temos dinheiro para emprestar para os outros assim. Precisamos melhorar nossa situação interna, senão eles continuarão pobres e nós vamos para o mesmo buraco de mãos dadas (não tenho nada contra os bolivianos, tenho contra emprestar o que não possuímos). Eles já irão aumentar unilateralmente os preços do gás que nos vendem, não tenha dúvida disso, é só uma questão de tempo, logo após a próxima eleição presidencial. Sugiro que o Sr. ouça com mais freqüência os conselhos de sua esposa, pois pelo que declarou à imprensa, devemos a ela o início (tímido) das obras de recuperação das rodovias federais, ainda que tardia, eleitoreira e mal feita. Ela me pareceu uma pessoa com visão sobre o que significa governar.
Não votei no senhor e não me arrependo disso, embora seu governo tenha superado minhas expectativas; não imaginei que pudesse ser tão ruim. Esperava medidas controversas, estatizantes, de caráter populista, em minha opinião seriam medidas erradas, porém, reafirmo fui surpreendido, pois além das medidas controversas estamos assistindo a um espetáculo de desfaçatez com a causa pública. Desta forma caríssimo presidente, chegando novamente o momento de exercer meu direito de opinião na escolha do novo inquilino do Palácio do Planalto, decidi que pelo resultado demonstrado após estes quatro anos de governo, o preço está caríssimo, para mantê-lo por outro período. Vou trocá-lo por outro mais barato.