quinta-feira, 13 de julho de 2006


Matar a galinha dos ovos de ouro?


A grande “sacada” dos partidos de esquerda no Brasil, e aí falo dos profissionais que compõe seus quadros e não dos românticos que entram sem perceber a ideologia subjacente nos discursos, é que o capitalismo se sustenta quando há riqueza, consumo de bens e serviços e pleno emprego, portanto, a esquerda tem que combater toda e qualquer iniciativa que leve à concretização deste anseio geral, pois caso isso ocorra, os profissionais deste ramo (os políticos e militantes) ficarão desempregados por falta de bandeiras “sociais” para lutar. Por isso dão os R$ 100,00 mensais, para manter a ignorância a pobreza e a eterna gratidão do povo. Qual a diferença do voto em troca de uma dentadura e da concessão de R$ 100,00 mensais a título seja lá do que for? É apenas a ideologia subjacente. Ao MST não interessa que a reforma agrária ocorra, pois se ela caminhar adequadamente, o Sr. Stédile e seus asseclas ficarão desempregados. Ao PT não interessa um país socialmente justo e com pleno emprego, sem problemas, porque se isso ocorrer, todos os eleitores se tornarão de direita, e por falta de bandeiras o PT desaparecerá pois se alimenta das mazelas do povo, empurrando-os cada vez mais para o abismo. O mesmo ocorre com sindicatos: interessa aos sindicatos que as condições de trabalho e salário dos funcionários nas empresas sejam ótimas? Se isso ocorrer os sindicalistas ficam desempregados. Não quero dizer por isso que os partidos de esquerda, sindicatos e movimentos como o MST devam ser abolidos, mas quero sim é tirar a máscara de “santinhos” benfeitores inexpugnáveis em suas qualidades éticas e morais enquanto os demais são todos pérfidos aproveitadores do povo. O que espero é que parem com os sofismas e aprendam a discutir como gente grande. O mundo quer riqueza e riqueza é gerada num ambiente de livre comércio, de competição justa e não na injustiça do “igual para todos”. Quem faz mais ganha mais, quem faz menos ou não faz nada ganha menos ou nada. O ponto não é se o capitalismo é bom ou não, se o neoliberalismo é bom ou não, a questão é como distribuir a riqueza que o capitalismo gera de maneira justa (quem fez mais ganha mais), e como garantir oportunidades iguais a todos. Ser contra o capitalismo ou contra o neoliberalismo é querer manter o desemprego, a pobreza, a ignorância apenas para garantir trabalho para algumas dúzias de militantes e políticos profissionais a nomenklatura. Não há diferença entre a enganação da dentadura ou da bolsa-auxílio-não-sei-do-que em troca do voto. Só muda o nome do candidato.