quinta-feira, 13 de julho de 2006


Livros de Auto-Ajuda - Parte VI, ou "A Ideologia de nosso tempo"


Notícia veiculada na internet, no site do Terra de 05/07/2006 (http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI1061410-EI306,00.html) dá conta que um casal ex-freqüentador da Igreja Universal, reclama na justiça ter vendido bens , como apartamentos e carros, em troca de prosperidade financeira que não foi alcançada.
Essa informação em minha opinião reafirma a convicção de que, na ânsia de obter sucesso, alguns tentam ludibriar o próprio Deus, pois acreditam que Ele ficaria numa “sinuca” não nos ajudando, uma vez que “demos tudo” e essa é a Sua promessa (de acordo com aqueles mesmos “donos das igrejas”).
Ofertamos o máximo portanto merecemos em troca o máximo, essa é a lógica. Há uma frase que já vi em alguns carros que afirmam: “Não sou Rei, mas sou filho do Rei”, ou “Não sou dono do mundo, mas sou filho do Dono”. Essa é a lógica das igrejas que propagam a “Teologia Econômica”, onde sempre apresentam frases que demonstram posse ou status adquirido em função de bens materiais.
No livro “Ideologia da Sociedade Industrial” seu autor, o filósofo francês Herbert Marcuse, afirma que: “A ideologia é mais presente, exatamente quando não notamos sua presença”.
Eu não estava notando sua presença quando escrevi os primeiros artigos, porém, na tentativa de escrever os seguintes, faltava algo que unisse os textos anteriores como algo contínuo, um amálgama. Não estava vendo o edifício, e essa é uma característica da ideologia, pois nos confunde e imaginamos estar vendo uma coisa e na realidade estamos vendo outra, e concentrado no “tijolo” eu não via a “parede”.
Mais uma vez a Gestalt implacável não me permitia ter a visão do todo através da parte.
Mas aí está o amálgama que dá forma ao edifício, cujos livros de auto-ajuda não passam parte de sua composição.
A ideologia subjacente em nossa sociedade de consumo nos leva a busca ansiosa pelo sucesso pessoal, muitas vezes a qualquer preço. Julgamos alguns povos antigos como bárbaros em função de sua violência, falta de cultura e da forma como tratavam seus semelhantes. A ideologia que permeia nossas relações criou sutilezas que nos fazem crer que hoje é diferente do praticado pelos nossos ancestrais. Ser competitivo, arrojado, inovador, empreendedor, é a tradução de algo que na história antiga deveria chamar algo como conquistar, aniquilar, escravizar, destruir. Antigamente era o inimigo, hoje é a concorrência. Antigamente era o escravo, hoje é o empregado. Antigamente eram as corporações de ofício, hoje são os grandes conglomerados multinacionais e nós como um rebanho de ovelhas, a antiga “turba romana”, mudamos nosso status para consumidores.