quarta-feira, 12 de julho de 2006


Livros de Auto-Ajuda – Parte V

Após algumas reflexões, cheguei à conclusão que o título dessa série de textos não está adequado. Deveria ser algo como “A ideologia do nosso tempo” ou algo parecido.
O que está realmente em discussão não é a falácia dos livros de auto-ajuda, pois seus autores também são vítimas deste mal. Diria a título de comparação com a célebre e redentora frase proferida por Cristo quando crucificado: “Pai, perdoa-os pois eles não sabem o que fazem”. A verdade é que há muito estamos nos deixando enganar por culpa de nossa ignorância em não perceber a sutileza. A sociedade encontra-se endêmica de corpo e alma. Estamos doentes literalmente; estamos nos tornando cardiopatas, diabéticos, obesos, para falar dos males do corpo e não amamos mais, não ouvimos mais, não contemplamos mais, não vemos o passar do tempo e estamos deprimidos tristes, insatisfeitos conosco e com a falta de sentido de nossas vidas, falando dos males da alma. Temos nos mantido tão ocupados ultimamente em atingir padrões ditados pela sociedade (beleza, riqueza, fama, influência etc.) inatingíveis em muitos casos, esperando que isso nos dê a sensação de sucesso (a palavra chave), porém isso não ocorre. Diria que a energia que gastamos nisso é inversamente proporcional a satisfação que imaginamos obter caso consigamos atingi-las ao menos em parte.
Seria injusto de minha parte afirmar que o grande vilão desta história são os livros de auto-ajuda, pois esses representam apenas uma das faces dessa ideologia do sucesso que “recheia” as relações de nossa sociedade moderna. Ela é tão poderosa que se imiscuiu em nossas relações de trabalho, familiares, afetivas e sexuais etc. Nem a igreja manteve-se imune. Elas também buscam a prosperidade e isso tem sido traduzido em muitos casos, não generalizando, como dinheiro em caixa, grandes e suntuosos templos. Os autodenominados bispos e pastores dessas denominações avaliam o “sucesso de seus negócios” em cifrões. Todos nós, de alguma forma almejamos prosperidade, e isso significa dinheiro, nem que muitas vezes para obtê-lo tentemos “enganar” nosso semelhante ou às vezes o próprio Deus.