quarta-feira, 28 de junho de 2006

Ao longo dos últimos mêses, escrevi alguns textos a respeito da situação política brasileira: mensalão, cassação de mandato, pizzas no congresso, enfim diversos assuntos. Alguns enviei para os jornais. Alguns foram publicados naquela coluninha reservada aos leitores. Aqui reproduzirei todos os que ainda tiver guardado.

O PT, seu governo e “O retrato de Dorian Gray”

O PT e por conseqüência o governo e o país, passa por um momento muito delicado.
O partido vive o paradoxo de ser oposição a si mesmo. O Lula que discursa para a platéia nos eventos em que participa, não é o Lula que decide questões graves no Planalto; o Genoíno que dá entrevistas aos jornalistas esclarecendo posições de sua bancada e do próprio governo, não é o mesmo que articula as votações no plenário; o sr. José Dirceu, passa a sensação para o público de que só está preocupado consigo mesmo e com suas idéias. Aliás o que mais o PT tem feito é apaixonar-se diuturnamente por seus discursos. O PT se basta e se alimenta de suas idéias, num processo autofágico. Se tivesse que descrever o PT em uma metáfora, diria que ele é o “Retrato de Dorian Gray”. Para manter sua beleza aparente ele negociou sua alma e obtém resultados surpreendentes nas pesquisas de opinião pública. Quando sozinho no quarto, olhando seu quadro, pode observar a verdade crua de sua face. Isso o leva a arrepios de horror. Para manter sua pose, e aplacar sua culpa, desqualifica aqueles que percebem o pacto realizado e estranham esta “beleza e juventude eterna” criando fatos, plantando boatos, por vezes se descontrolando e fazendo ameaças, enfim mostrando sua mente doentia.
Quem já leu a estória de Oscar Wilde “O retrato de Dorian Gray”, não pode deixar de observar semelhanças entre o personagem da estória e o PT governo. Tal como o protagonista do conto, o PT se apaixona pelo seu quadro, bonito, jovem e anseia manter-se assim eternamente, não economizando esforços para obter esse resultado. O quadro está escondido, e apenas na calada da noite, enquanto todos dormem, tomam coragem de observar a pintura para observar o quanto a imagem que transparece ao público se distancia da imagem real que o quadro apresenta. Obviamente, esse feitiço tem um preço alto. Para manter essa aparência e desacreditar aqueles que já perceberam o engodo, lançam mão de todas as estratégias, desde a desqualificação dos que denunciam o estratagema, até ameaças de censura. É proibido falar sobre o quadro; é proibido reconhecer sua existência; é proibido perceber que há algo errado. Aliás não há nada errado, e todas as críticas não passam de incapacidade da oposição lidar com “a perda do poder”. A propaganda mostrando a beleza do governo, alimenta o sonho da nação no seu futuro promissor mas a verdade que se esconde na pintura não deixa o governo dormir diante do remorso pelo engodo. Mas a vaidade é maior que a razão e o simulacro continua. Isso gera crises de consciência e necessidades cada vez maiores de cooptação daqueles que já descobriram a verdade. Em momentos críticos gera insegurança, o que leva alguns, descontrolando-se, falar coisas que em sã consciência não falariam. Daí novamente a necessidade de lançar uma cortina de fumaça contra o quadro. O PT e o seu governo chegou a um ponto que não são capazes de reconhecer sua própria imagem. Não resta mais nada, nem a vergonha!

O próximo comentário foi publicado no fórum do Estadão na internet em 20/03/2006. Fala sobre a "Dança da pizza" estrelada pela deputada Angela Guadagnin do PT.


Não se faça de vítima
A sra. deputada está bem adestrada nos trejeitos e dissimulações petistas, afinal é moda entre a maioria de seus integrantes, torcer a realidade para adequá-la a seus interesses. Assim foi com o Genoíno, Zé Dirceu, Palocci, apenas para citar os mais graduados. Sempre a mesma ladainha: "a culpa é da imprensa..., não há provas..., há uma conspiração contra o governo... etc e tal". Nunca eles próprios eram responsáveis pelos problemas que estavam enfrentando. No caso da infeliz deputada Angela Guadagnin, a "perseguição" a ela não deve-se ao fato de haver tripudiado a nação inteira com seu gesto acintoso no plenário após a absolvição do seu colega de partido, mas sim, pelo fato de "ser mulher, gorda, ter cabelos brancos e não pintá-los, ser do PT e buscar fazer justiça". A digna deputada, não bastando ter nos "agredido" ainda nos chama de imbecis! Haja paciência com esse partido!


O próximo texto escrevi quando o José Dirceu ainda era alguma coisa no governo, e em uma entrevista falou que o PSDB era insolente. Nesta ocasião a Dna. Marta ainda era candidata a reeleição à Prefeitura de SP.


JOSÉ DIRCEU E A “INSOLÊNCIA TUCANA”


É grave a situação em que nos encontramos cidadãos, reféns que estamos da ambição de poder a qualquer preço dos comandantes do PT no governo. Insolência no dicionário petista, é traduzido como toda e qualquer posição diferente daquela defendida por eles. O patrulhamento ideológico feito pelos petistas em sua grande maioria, chega em alguns casos a padrões da Gestapo, com intimidações físicas, haja visto os acontecimentos noticiados pela imprensa com o candidato José Serra na zona leste de São Paulo, e até comigo, ao expressar em conversa particular com amigo enquanto caminhava pela rua, minha preferência por um candidato diferente da petista, e um pedestre que passava no momento, tendo ouvido minha intenção de voto, desfiou uma lista de imprecações contra mim, quase me agredindo físicamente. O que quero dizer com tudo isso é que o PT tem o poder de desagregar. As discussões políticas que devem ocorrer no campo das idéias, na falta de argumentação inteligente, para o PT serve a argumentação da força física mesmo, pois o que importa é vencer, não importando a que preço. Todas as manifestações que surgem nos jornais e tvs por parte dos petistas, possuem subliminarmente mensagens de agressividade, intimidatórias, desqualificando a pessoa ou a idéia ou propondo o controle ideológico (LULA convoca prefeitos eleitos pelo PT no Brasil a ajudar Marta! será que é para fazer número e inspirar medo?), em especial quando os interlocutores são ou o Sr. José Dirceu ou Dona Marta, que parecem ser os campeões de intimidação e ameaças. Neste texto não se trata de julgamento de pessoas, e sim, percepção. A fala do José Dirceu e da Dona Marta, soa aos meus ouvidos como ameaças, e isso em minha opinião acaba passando para toda a militância do partido. Outro fato interessante é que sempre que candidatos do PT se expressam sobre suas intenções de governo, assumem uma posição como os "Grandes Pais" que irão cuidar de seus rebentos, dando-lhes proteção, alimento, cuidando quando estiverem doentes, etc, ou seja tratando-nos como se fossemos patetas que não sabem como se virar no dia a dia, e o partido por ser bonzinho fará isso por eles. Não percebem que na posição de chefes do executivo, são na realidade subordinados ao povo, e como chefes o povo não pede favores, e sim exige desempenho, o que muitas vezes fica relegado a segundo plano. Exemplo claro disso para mim foi quando a respeito das obras na Av. Rebouças, um morador da região, reclamando do que estava sendo feito, a Prefeita Marta retruca ao jornalista, que aquela opinião do morador era irrelevante! Isso sim é insolência. Se ela fosse funcionária de minha empresa, estava demitida na hora, pois julgar a opinião de seu principal cliente irrelevante, é não saber o que está fazendo lá.
MANIQUEÍSMO PETISTA


Dia após dia o PT mostra-nos sua face de maniqueu. Seus membros (não todos, mas muitos deles), julgam-se acima do bem ou do mal, e subliminarmente demonstram sua intenção de serem percebidos como a personificação da verdade. Esperam que nós messianicamente os sigamos, pela fé. Talvez pretendam que a imagem de “seguir a estrela”, pelo grande poder que essa figura tem em nossa fé Cristã, nos embote o raciocínio, fazendo com que confundamos um simples partido político com a Boa Nova do nascimento do Salvador. Seria isso uma torpe tentativa de engodo ideológico? Colocar a estrela do PT nos jardins do Alvorada é uma afronta ao poder executivo constituído, uma vez que ele não representa o PT mas sim o Brasil, o povo brasileiro. Se existe alguém no governo que tenha por função analisar previamente ações, frases e sua repercussão junto à população em geral, essa pessoa não tem estado atenta ultimamente, ou isso tem sido feito com a intenção deliberada de gerar polêmica! Como diria um adolescente “foi mal” no primeiro encontro do nosso presidente recém eleito, com o presidente americano, ostentar um botom do PT, ao invés da bandeira brasileira!
A constante recusa em elucidar o esgoto do Waldogate e da morte do prefeito Celso Daniel, alegando sempre “desestabilização” “golpismo” e outros que tais, é outra demonstração de poder. Parece fazer parte do perfil dos governos, dizer uma coisa e agir de outra. Isso para mim só se explica (no caso do PT) como uma confissão “somos sim iguais a todos que criticávamos”, ou, completo desconhecimento do que é ou não possível de se fazer na Presidência. É a velha dicotomia das esquerdas retrógradas brasileiras: “Companheiros já conquistamos o poder; agora alguém pode nos dizer o que fazemos com ele?”

Outro infeliz exemplo de cegueira e surdez causada pelo poder (o rei está nu), é a frase da prefeita de São Paulo, Sra. Marta Favre no O Estado de SP de 17/04 último: “Críticas do povo da Rebouças são bobagens”. Realmente acredito que ela ache isso mesmo, pois adequa-se ao perfil predominante do petista: “só minha forma de pensar está correta, e o meu ego é enorme!” A Sra. prefeita, reduz uma questão que afeta milhares de cidadãos a uma discussão caseira, tal como se estivesse redecorando o jardim de sua casa e desqualifica a opinião dos cidadãos como se fossemos um bando de néscios. Isso se chama desrespeito. Só falta sair com o dedo em riste perguntando: “sabem com quem estão falando?”.